Brasília – A Polícia Federal (PF) identificou que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teve acesso antecipado a informações sigilosas da investigação que mira seu conglomerado financeiro. Segundo relatório obtido pelos investigadores, o aliado do banqueiro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, penetrou em sistemas da Justiça Federal em julho do ano passado, quatro meses antes da primeira prisão de Vorcaro na Operação Compliance Zero.
Mensagens, capturas de tela e documentos em PDF apreendidos no celular do banqueiro confirmam que os dados vazados chegaram diretamente a ele. A PF suspeita de acessos ainda mais antigos, mas aponta que as invasões se intensificaram quando o inquérito ganhou fôlego.
Uso de senhas da PGR
Investigações apontam que Sicário utilizou credenciais oficiais de integrantes da Procuradoria-Geral da República (PGR) para burlar barreiras de segurança. A ofensiva clandestina teria alcançado também bancos de dados do Banco Central, cujas apurações resultaram, no mesmo dia da primeira prisão, na liquidação do Banco Master.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou o grupo que atuava para Vorcaro como uma “milícia privada”, batizada de “A Turma”. O magistrado citou o risco de destruição de provas para decretar, na semana passada, as prisões preventivas de Vorcaro, de Sicário — que se suicidou na cadeia — e de um policial federal aposentado.
Prisão e suposta fuga
Vorcaro foi detido pela primeira vez em 22 de novembro, no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, quando se preparava para viajar ao exterior. Ele alegou que buscava investidores árabes para o banco; a PF, porém, sustenta que a viagem visava escapar da operação.
A terceira fase da Compliance Zero, autorizada recentemente por Mendonça, levou à segunda prisão do banqueiro. Na decisão, o ministro criticou o pedido da PGR por mais prazo para analisar o caso, destacando que as provas já demonstravam a urgência das medidas.
Defesa e silêncio
Em nota, os advogados de Daniel Vorcaro afirmaram que não comentarão informações decorrentes de “vazamentos ilegais de material sigiloso”, lembrando que a divulgação do conteúdo é, por si, alvo de inquérito no STF.
A PGR foi procurada para esclarecer o eventual uso indevido de senhas de seus servidores, mas ainda não respondeu.
Com informações de Gazeta do Povo