Brasília – Depois de elevar, no início de fevereiro, o Imposto de Importação de mais de 1.200 produtos, o governo federal voltou atrás em 120 itens, mas passou a classificar como fake news as notícias que relatavam o aumento da tributação.
Recuo divulgado na sexta-feira
No meio da tarde de 27 de fevereiro, a assessoria do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que smartphones, peças de computador e outros 117 produtos voltariam às alíquotas anteriores. A mudança ocorreu após forte reação negativa nas redes sociais.
Vídeo de Alckmin contesta informações
Horas depois, às 22h do mesmo dia, o perfil oficial do governo publicou vídeo do vice-presidente Geraldo Alckmin alegando serem falsas as notícias sobre qualquer elevação de imposto para celular, notebook, gabinete, memória, roteador, processador, placa-mãe e LED. O material somava mais de 6,5 milhões de visualizações até a publicação desta reportagem.
Parlamentares rebatem governo
O deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) afirmou que o Executivo só voltou atrás após seu pedido de revogação das novas alíquotas. Nikolas Ferreira (PL-MG) destacou que a lista original envolvia mais de 1.200 mercadorias e que apenas 120 tiveram os aumentos cancelados. Kim Kataguiri (União-SP) exibiu documento oficial assinado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para sustentar que a alta existiu.
Momento político delicado
A polêmica surge enquanto pesquisas mostram fragilidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela reeleição. Vídeo publicado por Nikolas Ferreira em 24 de fevereiro, criticando a medida, alcançou 29 milhões de visualizações.
Governo nega ter voltado atrás
Na manhã de 28 de fevereiro, o Palácio do Planalto reiterou no X (antigo Twitter) que não houve recuo, classificando como imprecisa a informação de que produtos eletrônicos ficariam mais caros. Segundo a publicação, o Comitê-Executivo de Gestão (GECEX) da Camex manteve isenções para itens sem fabricação nacional equivalente, citando GPU, placa-mãe de vídeo e processador como únicas exceções de reversão.
Origem do aumento
Em nota técnica divulgada no início de fevereiro, a Fazenda argumentou que o ajuste nas alíquotas compensaria reduções feitas nos últimos anos e serviria para proteger a indústria nacional. Dois dias antes do recuo parcial, Fernando Haddad declarou que a medida “não ocasionaria aumento de preços”.
Até o momento, o governo mantém a versão de que não houve elevação de imposto sobre os produtos mencionados no vídeo de Alckmin, enquanto opositores insistem que a revogação parcial é prova de que a alta realmente ocorreu.
Com informações de Gazeta do Povo