Fontes da administração do presidente argentino Javier Milei informaram na quarta-feira (20) à Reuters e à CNN Brasil que não receberam qualquer carta do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) solicitando asilo político.
A negativa veio após a Polícia Federal (PF) relatar que localizou, no celular de Bolsonaro, um arquivo intitulado Carta JAIR MESSIAS BOLSONARO.docx, direcionado a Milei. De acordo com o inquérito, o documento foi salvo em 20 de fevereiro de 2024, dois dias depois de o passaporte do ex-mandatário ter sido apreendido durante a Operação Tempus Veritatis.
Com 33 páginas, o texto traz um pedido formal de asilo no qual Bolsonaro se declara vítima de perseguição política no Brasil. Em um trecho, ele afirma temer novo atentado e a possibilidade de prisão “de forma injusta, ilegal, arbitrária e inconstitucional”.
A PF indiciou na quarta-feira (20 de agosto de 2025) Bolsonaro e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no inquérito que apura suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Segundo a polícia, pai e filho teriam atuado para obstruir investigações e participado de articulações que configurariam “abolição violenta do Estado Democrático de Direito”.
Na quinta-feira (21), o advogado Paulo da Cunha Bueno declarou ao jornal Folha de S.Paulo que a carta de asilo foi apenas uma sugestão “descartada de imediato”. “A fuga nunca foi uma opção. Depois de rejeitar a ideia do asilo, o ex-presidente permaneceu no Brasil e compareceu a todos os atos do processo, inclusive aos que não foi convocado”, afirmou.

Imagem: ABIR SULTAN via gazetadopovo.com.br
Até o momento, o Ministério das Relações Exteriores da Argentina e a embaixada argentina em Brasília não responderam formalmente aos pedidos de comentário sobre o tema.
Com informações de Gazeta do Povo