O governo federal elevou o tom contra a Enel São Paulo e advertiu que a distribuidora pode perder a concessão no estado depois do blecaute que deixou 2,2 milhões de consumidores sem energia elétrica na capital e na região metropolitana.
Nesta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, ainda restavam 35,2 mil unidades sem fornecimento em 24 municípios, sendo 24,2 mil apenas na cidade de São Paulo.
Em nota divulgada no fim de semana, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou “rigor absoluto” na fiscalização do serviço. “O governo não tolerará falhas reiteradas, interrupções prolongadas ou qualquer desrespeito à população”, declarou o ministro, acrescentando que o descumprimento dessas exigências pode resultar na revogação da concessão e em outras medidas legais e regulatórias.
Silveira disse ainda que pretende articular uma agenda conjunta com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o prefeito Ricardo Nunes (MDB) para alinhar responsabilidades e coordenar a atuação dos órgãos públicos durante a crise.
O comunicado é mais duro que o emitido dias antes, quando o ministério criticou a troca de acusações entre autoridades locais e reforçou que a prioridade do governo federal era restabelecer o serviço. Na ocasião, o MME informou que 1,7 milhão de unidades já haviam tido a energia restabelecida e que eventuais falhas da distribuidora seriam apuradas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
A Enel São Paulo informou ter mobilizado número recorde de equipes, chegando a 1,8 mil frentes de trabalho, e atribuiu o apagão a um vendaval histórico, com rajadas próximas de 100 km/h em alguns pontos da capital.
Na semana passada, o governador e o prefeito enviaram ofício à Aneel pedindo intervenção federal na empresa italiana. Tarcísio de Freitas afirmou que o restabelecimento completo “ainda levará alguns dias” e advertiu que situações semelhantes podem se repetir. Ricardo Nunes acusou a concessionária de inflar o número de equipes — de 1,6 mil divulgadas, sua equipe teria verificado menos de 40 veículos em operação — e disse que a Enel “não tem mais condições de continuar em São Paulo”.
Com informações de Gazeta do Povo