O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro (PSD-MT), foi exonerado nesta sexta-feira (27) para reassumir temporariamente a cadeira de senador e votar contra o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A dispensa, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apareceu em edição extra do Diário Oficial da União.
A decisão surpreendeu a suplente, senadora Margareth Buzetti (PP-MT), que participava da sessão em que o parecer de 4,3 mil páginas é lido pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). No plenário, Buzetti classificou a manobra como uma tentativa do governo de “garantir mais um voto”.
Relatório aponta 218 pedidos de indiciamento
Entre os nomes citados no texto estão Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha; o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi; e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do Planalto no Senado. A defesa de Lulinha afirmou ter recebido o pedido de indiciamento com “indignação” e atribuiu a iniciativa a motivações eleitorais.
A leitura do documento começou pela manhã e pode avançar para sessão extra no sábado (28). Na véspera, o Supremo Tribunal Federal, por 8 votos a 2, negou pedido de prorrogação da CPMI, revertendo liminar do ministro André Mendonça que estenderia os trabalhos por mais 60 dias.
Exonerações recorrentes
Desde 2023, Fávaro já deixou o ministério outras três vezes para participar de votações estratégicas no Senado: em novembro de 2023, no projeto das apostas esportivas; em dezembro de 2024, na apreciação do Orçamento de 2025; e no fim de 2025, na indicação de emendas para o Orçamento de 2026. Em todas as ocasiões, ele retornou ao comando da Agricultura logo após as sessões.
A exoneração desta sexta encerra-se tão logo a votação na CPMI seja concluída, permitindo a recondução imediata do ministro ao cargo no Executivo.
Com informações de Gazeta do Povo