Brasília — A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu que os líderes partidários da Câmara dos Deputados atuem para que o Conselho de Ética vote, “o quanto antes”, a cassação do mandato do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A representação contra o parlamentar foi apresentada na semana passada pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-SP), e aponta quebra de decoro por suposta articulação, nos Estados Unidos, para impor sanções econômicas ao Brasil. Segundo a investigação, o objetivo seria pressionar o Judiciário a interromper o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pai do deputado, acusado de tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Em entrevista à CNN Brasil na sexta-feira (22.ago.2025), Gleisi classificou a atitude do parlamentar como “indecência” e afirmou que a punição precisa ser “exemplar e pedagógica”. “Ter um deputado que é pago pela Câmara conspirando contra o país é inadmissível”, declarou.
Atuação nos Estados Unidos
Eduardo Bolsonaro está em território norte-americano desde março. De acordo com a Polícia Federal, ele confirmou trabalhar junto a autoridades locais para a adoção de sanções contra o Brasil. Nas conversas obtidas pela PF, o parlamentar mencionou que a eventual aprovação de um projeto de anistia pelo Congresso poderia levar à suspensão dessas medidas.
Indiciamentos e reação da defesa
Na quarta-feira (20.ago), a Polícia Federal indiciou Jair e Eduardo Bolsonaro. No mesmo dia, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, solicitou esclarecimentos à defesa do ex-presidente sobre o caso. A resposta foi entregue na noite de sexta-feira (22) e classificou o relatório policial como “peça política” destinada a “desmoralizar” o ex-chefe do Executivo.
Moraes encaminhou a manifestação à Procuradoria-Geral da República e deu 48 horas para que o procurador-geral Paulo Gonet opine sobre a manutenção da prisão domiciliar ou conversão para regime fechado, antes do início do julgamento marcado para 2 de setembro.
Imagem: Antonio Cruz via gazetadopovo.com.br
Medidas cautelares
O ex-presidente é acusado de descumprir reiteradamente as restrições impostas pelo STF, entre elas a proibição de uso de redes sociais. A PF sustenta que, após a apreensão de um celular, Bolsonaro teria ativado novo aparelho e intensificado a divulgação de mensagens.
O Conselho de Ética da Câmara ainda não definiu data para apreciar a representação contra Eduardo Bolsonaro.
Com informações de Gazeta do Povo