Brasília — 06/03/2026. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes criticou o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), durante sessão plenária na quarta-feira (4) e recorreu a uma passagem bíblica para responder às declarações do chefe do Executivo mineiro contra a Corte.
“Pai, eles não sabem o que fazem”, citou o magistrado, referindo-se às falas de Zema feitas no domingo (1º), na manifestação “Acorda Brasil”, realizada na Avenida Paulista, em São Paulo. Sem mencionar nomes naquele ato, o governador afirmou que “ninguém no Brasil é intocável” e reclamou de “farras de quem se considera acima de todas as leis”.
Ministro menciona situação fiscal de Minas Gerais
Ao responder às críticas, Mendes lembrou que Minas Gerais enfrenta uma dívida estimada em R$ 165 bilhões com a União e que o estado mantém liminares concedidas pelo STF para aliviar o pagamento do débito e negociar a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal. “É chocante ver o governador de Minas Gerais que, nos seus bem feitos ou mal feitos, levou o estado a uma debacle econômica, mas está sobrevivendo graças a uma liminar dada por este tribunal, atacar o tribunal”, disse.
Segundo o ministro, a postura de governadores que recorrem ao Supremo em disputas institucionais e, ao mesmo tempo, criticam publicamente o tribunal é contraditória.
Reação do Partido Novo
No dia seguinte (quinta-feira, 5), o Partido Novo respondeu pelas redes sociais, acusando Gilmar Mendes de tentar intimidar críticos do STF. A legenda ressaltou que a liminar que suspendeu parcelas da dívida mineira foi concedida em 2018, ainda no governo do ex-governador Fernando Pimentel (PT). Para o partido, o pronunciamento do ministro soaria como ameaça de revisão do benefício caso Zema mantivesse as críticas.
A troca de declarações ampliou o embate político envolvendo o governador de Minas Gerais e integrantes do Supremo, num momento em que governadores voltam a questionar a atuação do tribunal em temas fiscais e investigativos.
Com informações de Gazeta do Povo