Brasília – Relatório da Unidade de Auditoria Especializada em Bancos Públicos e Reguladores Financeiros (AudBancos) do Tribunal de Contas da União recomendou apuração sobre a conduta do Governo do Distrito Federal (GDF) e do Banco de Brasília (BRB) na tentativa de compra do Banco Master. Os auditores apontam que a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) teria recorrido ao TCU para obrigar o Banco Central (BC) a autorizar a operação.
Os documentos, tornados públicos nesta terça-feira (24.mar.2026) pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, indicam “indícios de falta de diligência” e possível “gestão temerária” por parte dos administradores do BRB e do controlador, o Distrito Federal.
Manobras no TCU
Segundo o relatório, em 2 de setembro de 2025, quando a análise do negócio ainda corria no BC, o GDF protocolou pedido no TCU alegando “morosidade excessiva” do regulador. Um dia depois, em 3 de setembro, logo após o Banco Central negar tecnicamente a aquisição, o governo distrital voltou ao Tribunal de Contas com medida cautelar emergencial para suspender os efeitos da decisão do BC.
Para a área técnica, o GDF tratou o TCU como “instância recursal”, ignorando deficiências apontadas pelo regulador e tentando forçar a aprovação de uma operação que submetia o banco público distrital a “riscos desproporcionais”. A conduta, afirmam os auditores, pode ferir os princípios de legalidade, moralidade, eficiência e economicidade.
R$ 2 bilhões em jogo
O relatório detalha que o BRB manteve as negociações mesmo após o Banco Central ter identificado indícios de fraudes e ativos inexistentes em carteiras de crédito vendidas anteriormente pelo Master. A operação previa pagamento estimado de R$ 2 bilhões ao empresário Daniel Vorcaro, controlador do Master, e envolvia R$ 11,9 bilhões em ativos classificados genericamente como “Diversos”, sem comprovação de existência ou qualidade.
A AudBancos enviou cópia integral da instrução ao Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) para aprofundar as apurações.
Defesa do governo Ibaneis
Em nota, o GDF “rechaça veementemente” ter pressionado o Banco Central. A administração distrital sustenta que acionou o TCU no “estrito e legítimo exercício do direito de petição” para proteger o patrimônio do BRB diante da demora regulatória, que, segundo o governo, gerava instabilidade e risco de desvalorização do banco.
O comunicado ressalta ainda que o BRB possui “governança corporativa robusta” e conduz negociações de forma independente. O Palácio do Buriti afirma não ter sido formalmente notificado de qualquer investigação, mas diz estar à disposição dos órgãos de controle para esclarecer os fatos.
Com informações de Gazeta do Povo