O Governo do Distrito Federal (GDF) admitiu a possibilidade de aportar capital no Banco de Brasília (BRB) para compensar perdas resultantes de operações com o Banco Master, liquidado em novembro do ano passado. As estimativas iniciais apontam um prejuízo entre R$ 1,6 bilhão e R$ 2,2 bilhões, valor que especialistas avaliam poder ser ainda maior.
Segundo o tributarista Luís Garcia, da Tax Group, eventual injeção de recursos transferiria ao contribuinte a conta de fraudes privadas, uma vez que o dinheiro sairia da arrecadação de impostos. O especialista classifica o movimento como “socialização de prejuízos”, fenômeno recorrente na história econômica recente do país.
Busca por liquidez
Além do possível socorro estatal, o BRB sondou o mercado para captar cerca de R$ 700 milhões via Depósito a Prazo com Garantia Especial (DPGE 2), instrumento coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e destinado a instituições de pequeno e médio porte. A consulta ocorreu na semana passada e chamou a atenção por coincidir com o debate sobre aporte público.
Em nota divulgada na noite de segunda-feira (19), o banco reafirmou possuir “suficiência patrimonial”, garantiu operar normalmente e negou qualquer risco de intervenção. A instituição informou ainda que mantém investigações internas e auditorias independentes para apurar a extensão das perdas, além de estudar a venda dos ativos recebidos do Master.
Posição do Palácio do Buriti
Questionada, a Secretaria de Economia do DF afirmou não ser possível, por enquanto, definir valores nem confirmar a necessidade de capitalização. “O GDF acompanha com serenidade a situação econômica da instituição”, disse a pasta.
Operação policial e tentativas de ressarcimento
Na quarta-feira (14), o BRB comunicou avanço nas tratativas para reaver recursos junto ao liquidante do Master, movimento reforçado pela segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, que bloqueou R$ 5,7 bilhões em bens ligados ao caso.
Como começou o rombo
Em 2025, o BRB negociou a compra de participação no Banco Master – operação vetada pelo Banco Central em setembro. Antes disso, porém, o banco brasiliense adquiriu aproximadamente R$ 16 bilhões em carteiras de crédito do Master, das quais R$ 12,2 bilhões seriam formadas por títulos fraudulentos, segundo a PF. A prática teria servido para maquiar o balanço do Master e melhorar sua liquidez.
Em acareação realizada no fim de dezembro, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa apontou perdas de R$ 2,2 bilhões, enquanto o controlador do Master, Daniel Vorcaro, negou prejuízos ao banco público. A defesa de Vorcaro fala em R$ 1,6 bilhão ainda pendente de troca, garantido por R$ 9 bilhões em colaterais e deságio de 30%.
Enquanto as investigações avançam, o BRB assegura patrimônio líquido de R$ 4,5 bilhões e patrimônio de referência de R$ 6,5 bilhões. Contudo, mantém aberta a possibilidade de receber aporte do GDF “caso necessário, para preservar os limites prudenciais e regulatórios”.
Com informações de Gazeta do Povo