Brasília – A oito meses da eleição presidencial de 2026, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) determinou que sua pré-campanha adote tom mais moderado para conquistar o eleitorado de centro e reduzir índices de rejeição. A mudança também busca acalmar agentes do mercado financeiro ainda reticentes quanto à candidatura apadrinhada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.
Foco no eleitor volátil e na pauta econômica
Integrantes do núcleo da campanha relataram que o plano é apresentar uma candidatura “menos bélica”, concentrada em temas capazes de convencer eleitores que costumam alternar voto a cada pleito. Ainda assim, a defesa do pai e críticas ao Supremo Tribunal Federal continuarão no repertório, preservando a identidade com a base de direita.
No campo econômico, Flávio promete corte de gastos, enxugamento do Estado e combate à inflação para diferenciar-se do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A taxa Selic, hoje em 15% ao ano, e o déficit de R$ 61,7 bilhões nas contas de 2025 serão usados como exemplos de desequilíbrio fiscal a ser combatido.
Percalços de Lula no Nordeste
Em entrevista ao jornalista Paulo Figueiredo, o senador afirmou observar “derretimento” do apoio a Lula na região Nordeste. Pesquisa PoderData de janeiro aponta que 46% dos nordestinos aprovam o presidente petista, contra 45% que desaprovam. Em dezembro, os índices eram 50% e 46%, respectivamente. No cenário nacional, Lula tem 34% de aprovação e 57% de rejeição.
Acenos ao mercado
A equipe de Flávio intensificou contatos com investidores, prometendo equilíbrio fiscal. O objetivo é ocupar espaço que parte do mercado atribuía ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), já comprometido com a reeleição estadual e apoiador do senador.
Busca por vice de perfil moderado
A escolha do candidato a vice deve seguir a mesma lógica de aproximação ao centro. Três nomes são avaliados:
- Ratinho Júnior (PSD-PR), respaldado pela popularidade do pai, o apresentador Ratinho, e pela capilaridade nacional do PSD;
- Romeu Zema (Novo-MG), considerado peça-chave em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país;
- Tereza Cristina (PP-MS), cuja presença feminina ligada ao agronegócio poderia ampliar o alcance junto a eleitoras.
Para o cientista político Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, a combinação de pauta econômica forte e um vice centrista pode atrair o eleitor “não ideológico” focado em estabilidade, saúde, transporte e segurança.
Metodologia das pesquisas – O PoderData entrevistou 2.500 pessoas entre 24 e 26 de janeiro de 2026, em 11 municípios das 27 unidades da Federação, com margem de erro de dois pontos percentuais e 95% de confiança. Em dezembro de 2025, a amostra foi idêntica, mas distribuída em 133 municípios.
Com informações de Gazeta do Povo