Brasília – 16/02/2026, 15h09. O senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), informou que irá protocolar “com rapidez” uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15) na Marquês de Sapucaí, Rio de Janeiro. Segundo o parlamentar, a apresentação configurou propaganda eleitoral antecipada em favor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e utilizou recursos públicos para atacar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sua família.
O ponto mais criticado foi a ala que retratou “famílias em lata de conserva”, descrita pela agremiação como crítica ao “neoconservadorismo enlatado”. Para Flávio, a alegoria representa “ataque pessoal” e desrespeita valores defendidos por eleitores conservadores.
Reações no Congresso
Parlamentares aliados reforçaram as críticas:
- Nikolas Ferreira (PL-MG) disse nas redes sociais que a performance ofende a “família tradicional” e a fé cristã.
- A deputada Carol de Toni — que deixou o PL no início do mês — afirmou que o episódio “deixa claro que o alvo são as famílias e os valores conservadores”.
- A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) considerou “inadmissível” a ridicularização da fé de milhões de brasileiros.
- Sergio Moro (União Brasil-PR) avaliou que o desfile teve “viés político explícito” e comparou a exaltação ao presidente a “culto à personalidade”.
Outras iniciativas judiciais
Na segunda-feira (16), o deputado Filipe Barros (PL-PR) também declarou que levará o caso ao TSE. Na quinta-feira anterior (12), a Corte Eleitoral já havia rejeitado, por unanimidade, pedido do partido Novo e do deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) para impedir o desfile, sob relatoria da ministra Estella Aranha, indicada por Lula. O tribunal entendeu que não cabia censura prévia e que eventuais irregularidades deveriam ser avaliadas posteriormente.
Em outra frente, o Novo acionou o Tribunal de Contas da União (TCU) para barrar o repasse de R$ 1 milhão da Embratur à escola de samba. A área técnica recomendou a suspensão, mas o ministro relator, Aroldo Cedraz, manteve a liberação do recurso.
Processos apresentados pela senadora Damares Alves e por Kim Kataguiri na Justiça Federal, com o mesmo teor, também foram rejeitados.
O enredo na Sapucaí
Intitulado “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, o desfile contou a trajetória de Lula desde a infância em Pernambuco até a Presidência, passando por greves no ABC paulista e programas sociais dos governos petistas. A ala das latas de conserva apareceu no setor dedicado a embates ideológicos contemporâneos, simbolizando, segundo a escola, “valores conservados no tempo”.
Flávio Bolsonaro e outros opositores sustentam que a apresentação ultrapassou o limite artístico e transformou o Carnaval em palco de militância eleitoral, argumento que será levado à Justiça Eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo