Home / Política / Entidade de advogados cobra STF por mais transparência em inquérito do Banco Master

Entidade de advogados cobra STF por mais transparência em inquérito do Banco Master

ocrente 1769204054
Spread the love

Brasília – A Federação Nacional dos Institutos dos Advogados do Brasil (Fenia) divulgou nesta sexta-feira (23/01/2026) uma nota técnica em que exige maior publicidade no inquérito que apura possíveis irregularidades do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

O procedimento, relatado pelo ministro Dias Toffoli, tramita sob sigilo elevado. Segundo a Fenia, a restrição só se justifica quando “indispensável para proteger direitos fundamentais”, o que demandaria, na visão da entidade, fundamentação específica e proporcional.

No documento, a federação sustenta que a ausência de transparência em casos de grande repercussão “alimenta a desinformação” e abre espaço para interpretações especulativas que podem fragilizar as instituições. Para a organização, a divulgação dos autos funciona como instrumento de controle social e reforça a legitimidade das decisões judiciais.

A nota também cita marcos legais e internacionais que obrigam o Estado a garantir acesso à informação, como a Convenção das Nações Unidas contra a Corrupção, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, a Constituição Federal (artigos 5º e 37), a Lei de Acesso à Informação e o Código de Ética da Magistratura.

Questionamentos sobre a relatoria

A atuação de Toffoli no caso vem sendo contestada por parlamentares da oposição, que apontam possível conflito de interesses. Entre os argumentos estão a compra de participação de irmãos do ministro no resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR), e uma viagem do magistrado a Lima (Peru) ao lado de advogado de investigados.

A Procuradoria-Geral da República já arquivou três pedidos de afastamento do ministro; outro requerimento semelhante continua sob análise. Na quinta-feira (22/01), o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota institucional em defesa de Toffoli, rejeitando “tentativas de desmoralização” do Judiciário e reforçando que a Corte “não se curva a ameaças ou intimidações”.

Transparência como regra

Para a Fenia, investigações que envolvem impactos econômicos expressivos, como a do Banco Master, configuram “interesse público qualificado” e, portanto, exigem a “máxima publicidade compatível com a proteção de direitos”. A entidade conclui que a visibilidade dos atos processuais é essencial para assegurar previsibilidade, segurança jurídica e confiança social nas instituições.

Com informações de Gazeta do Povo