Brasília – A publicitária Danielle Miranda Fonteles, fundadora da agência Pepper Comunicação Interativa e conhecida por sua atuação em campanhas do PT, passou a ser um dos principais focos da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 18 de dezembro de 2025. Decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), impôs à investigada o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
De acordo com a PF, Danielle servia como representante internacional de Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como líder de um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias. As apurações indicam que a ex-marqueteira atuava em operações empresariais, imobiliárias e financeiras no exterior, conectando o núcleo brasileiro da organização a estruturas em Portugal e Alemanha.
Papel em Portugal e repasses de R$ 13 milhões
Relatórios da investigação revelam que Danielle conduzia negócios do operador em território português, inclusive investimentos no setor de cannabis. Mensagens interceptadas mostram que ela gerenciava recursos e intermediava interesses de Antunes no país europeu. A PF calcula que a investigada tenha recebido mais de R$ 13 milhões em repasses enviados pelo lobista, valores que teriam transitado por empresa controlada por ela em Portugal.
Em conversa de 11 de setembro de 2024, anexada aos autos, Danielle questiona o atraso de pagamentos mensais e pergunta se Antunes ou o filho dele, Romeu, levariam o dinheiro pessoalmente a Lisboa. Para a PF, os diálogos reforçam o vínculo societário entre os dois.
Imóvel em Trancoso e suspeita de lavagem
A defesa da publicitária sustenta que os repasses se referem à venda de um imóvel em Trancoso (BA), avaliado em cerca de R$ 13 milhões, a ser pago em 13 parcelas de R$ 1 milhão cada. O negócio, alegam os advogados, foi declarado à Receita Federal e tributado. A operação, porém, não foi concluída, e a PF vê indícios de que a suposta transação imobiliária serviu para mascarar a real natureza da relação financeira entre Danielle e Antunes.
Trajetória ligada ao PT e investigações anteriores
Danielle ganhou projeção nacional como responsável pela comunicação digital da campanha de Dilma Rousseff em 2010. À frente da Pepper, prestou serviços que representaram 70% do faturamento da agência, inclusive na campanha de Rui Costa ao governo da Bahia em 2014 e em trabalhos para o ex-governador mineiro Fernando Pimentel. Em 2015, a empresa foi alvo da Operação Acrônimo; naquele inquérito, Danielle firmou acordo de colaboração premiada relatando contratos fictícios e repasses de empreiteiras.
Após encerrar formalmente a Pepper, a publicitária manteve negócios fora do país. Agora, volta ao centro das atenções, apontada como elo internacional para lavagem de dinheiro no esquema do Careca do INSS.
Investigações paralelas
Enquanto a Polícia Federal aprofunda rastreamentos financeiros e societários, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS avança em ritmo mais lento, com dificuldades para aprovar quebras de sigilo e convocações. Permanecem em aberto a origem exata dos recursos que passaram pelas empresas de Danielle, a ligação direta – ou não – com as fraudes no INSS e o grau de autonomia que ela exercia nas operações atribuídas ao grupo.
Até eventual denúncia ou julgamento, Danielle Miranda Fonteles segue na condição de investigada, beneficiada pela presunção de inocência.
Com informações de Gazeta do Povo