Brasília, 16 de março de 2026 – O tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Júnior, que comandou a Força Aérea Brasileira (FAB) entre 2021 e 2023, advertiu que o Brasil atravessa “deterioração gradual” de sua capacidade militar e classificou a situação da defesa nacional como “luz vermelha”. As declarações foram dadas em entrevista publicada nesta segunda-feira (16) pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Capacidade de dissuasão em queda
Segundo o oficial da reserva, as Forças Armadas brasileiras “não estão minimamente preparadas para os conflitos modernos” e apresentam um “grau de dissuasão muito reduzido”. Para ele, a defasagem decorre de décadas de restrições orçamentárias somadas a falhas estruturais nos três ramos — Marinha, Exército e Aeronáutica.
Proposta de comando conjunto mais forte
Baptista Júnior defende mudanças institucionais, entre elas a criação de um Estado-Maior conjunto com precedência hierárquica sobre as três forças. O ex-comandante argumenta que o modelo atual ainda preserva estruturas anteriores à instituição do Ministério da Defesa, em 1999, o que dificulta a coordenação estratégica.
“Baixa percepção de risco” na classe política
O brigadeiro criticou a escassa atenção dedicada à defesa por autoridades e pela sociedade. Ele atribui o desinteresse à longa estabilidade da América do Sul, cuja última grande guerra envolvendo o Brasil data do século XIX. “Esse cenário gerou baixa percepção de que o país possa ser ameaçado por outras nações ou por atores transnacionais”, afirmou.
Limites para atuação contra o crime
Embora apoie o combate ao narcotráfico, Baptista Júnior alertou para os riscos de empregar militares em funções tipicamente policiais, como corrupção e desvio de foco da missão principal, a defesa externa.
Depoimento sobre tentativa de golpe
O ex-chefe da FAB também comentou seu testemunho no processo que investigou a suposta tentativa de golpe após as eleições de 2022. Ele relatou ter mantido o alto comando da Aeronáutica informado e declarou que o aspecto mais grave foi a tentativa de “quebrar a unidade de pensamento” entre as três forças.
Crítica à polarização política
Na esfera eleitoral, Baptista Júnior disse pretender votar em um candidato de direita em 2026, mas descartou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao senador Flávio Bolsonaro. Ele qualificou a disputa entre “dois populismos” como nociva e afirmou que o país precisa “se livrar” dessa dinâmica para avançar.
O ex-comandante concluiu que, sem mudança de prioridades e aumento de investimentos, o Brasil corre o risco de permanecer vulnerável em um cenário internacional que considera cada vez mais instável.
Com informações de Gazeta do Povo