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Ex-assessor de Moraes diz temer ser morto e afirma guardar provas sobre STF e TSE

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O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Eduardo Tagliaferro, declarou nesta terça-feira, 19 de agosto de 2025, que teme ser assassinado por causa das denúncias que vem apresentando contra o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o STF. A afirmação foi feita em entrevista ao programa Café com a Gazeta, transmitido pelo YouTube da Gazeta do Povo.

“Estou fora do país, mas isso não significa que estou seguro. Posso ser perseguido, posso ser assassinado”, disse Tagliaferro, sem revelar o local onde se encontra.

Conversas preservadas

Segundo o ex-assessor, ele mantém em seu poder mensagens de WhatsApp que, afirma, comprovariam irregularidades cometidas dentro do TSE. Tagliaferro contou que recebeu ordens para apagar as conversas, mas decidiu arquivá-las. “Desde que percebi algo contra meus princípios e contra a lei, comecei a guardar provas”, afirmou.

Monitoramento de conservadores

As mensagens integram um grupo de WhatsApp em que juízes auxiliares e servidores — inclusive o próprio Tagliaferro — teriam monitorado publicações de conservadores e críticos do governo. De acordo com ele, relatórios produzidos a partir desse monitoramento alimentavam decisões judiciais de Moraes.

Tagliaferro explicou que as certidões elaboradas podiam ser “positivas” ou “negativas” conforme o conteúdo publicado pelos investigados. “Mesmo quando a certidão era negativa, as pessoas continuavam presas”, afirmou.

Clima de “filme de terror”

O ex-assessor comparou o ambiente interno do tribunal a um “filme de terror, driblando as ações de um psicopata”. Ele negou ter alterado qualquer documento, apesar, segundo ele, de ter recebido sugestão do juiz auxiliar Airton Vieira para usar “criatividade” nos relatórios. “Guardo os relatórios comigo e posso provar que apenas reuni títulos, links e datas das publicações”, assegurou.

Ex-assessor de Moraes diz temer ser morto e afirma guardar provas sobre STF e TSE - Imagem do artigo original

Imagem: Reprodução via gazetadopovo.com.br

Possível candidatura em 2030

Tagliaferro relatou ainda ter ouvido da chefe de gabinete de Moraes que o ministro pretende disputar a Presidência da República em 2030, deixando o STF para concorrer. “Alguém pode dizer que ele não ganharia, mas não sabemos quais mecanismos serão usados”, declarou.

CPI da Vaza Toga

As denúncias citadas integram a série de reportagens apelidadas de Vaza Toga e repercutem no Congresso. Na semana passada, o senador Esperidião Amin (PP-SC) protocolou pedido para instaurar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Vaza Toga, que pretende apurar:

  • compartilhamento de recursos humanos entre STF e TSE;
  • troca de informações entre órgãos jurisdicionais fora das hipóteses legais;
  • emissão de supostas ordens ilegais para servidores;
  • produção de relatórios administrativos contra pessoas específicas;
  • envio de dados a órgãos investigativos sem previsão legal;
  • atuação administrativa além dos limites legais e regulamentares.

A CPI ainda aguarda leitura em plenário para ser oficialmente instalada.

Com informações de Gazeta do Povo