Washington e Brasília — Em 25 de outubro de 2025, governos dos Estados Unidos e do Brasil apresentaram estratégias opostas para enfrentar o narcotráfico. Nos EUA, o presidente Donald Trump determinou o afundamento de embarcações suspeitas de transportar cocaína no Caribe. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu “cuidado” com os traficantes e afirmou que eles seriam vítimas dos usuários.
Ao lado do secretário de Guerra, Pete Hegseth, Trump classificou a ofensiva como “extensão da guerra ao terrorismo” e declarou: “Vamos caçá-los e matá-los onde quer que estejam”. Desde a autorização para destruir barcos carregados de drogas, autoridades americanas relatam queda no tráfico marítimo, segundo a Casa Branca.
No Brasil, Lula adotou discurso diferente. O presidente disse que o foco deveria ser nos usuários, responsáveis, segundo ele, por alimentar o comércio ilegal. O governo também discute desencarceramento e medidas de acolhimento. Para o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, o tema deve ser tratado como questão de saúde pública.
Decisões judiciais reforçam a linha brasileira. O Supremo Tribunal Federal limitou operações policiais em comunidades, medida que, de acordo com críticos, abriu espaço para a expansão de facções criminosas. Ao mesmo tempo, dados das seções eleitorais de presos provisórios em 2022 mostram que Lula recebeu mais de 80% dos votos nesse grupo.
Nos Estados Unidos, a estratégia de destruir embarcações sem levar suspeitos a julgamento é alvo de questionamentos jurídicos. No Brasil, a proposta de enxergar traficantes como vítimas também gera críticas de setores que defendem ação policial mais rigorosa.
As duas abordagens ilustram a distância entre políticas de tolerância zero e iniciativas de redução de danos, evidenciando debates sobre segurança, direitos humanos e saúde pública nos dois países.
Com informações de Gazeta do Povo