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EUA indicam que decisão sobre rotular PCC como terrorista será independente do Brasil

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Brasília – O promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco-SP), afirmou que autoridades norte-americanas não levarão em conta o posicionamento do governo brasileiro na possível inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho na lista de organizações terroristas dos Estados Unidos.

Em entrevista concedida na quarta-feira (11) à GloboNews, Gakiya relatou encontros recentes com assessores do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. Segundo o promotor, os representantes de Washington deixaram claro que a classificação é um “ato interno” dos EUA, sem depender de aval estrangeiro.

Visitas e coleta de informações

Delegações dos Estados Unidos estiveram em Brasília e São Paulo em 2025 para obter detalhes sobre a atuação transnacional do PCC. A facção, investigada por Gakiya há duas décadas, opera em mais de 28 países, de acordo com o Ministério Público paulista.

O promotor volta a se reunir com integrantes do governo norte-americano ainda nesta semana. O encontro preparará uma reunião ampliada, em Boston, que contará com agentes da DEA, do FBI e do Departamento de Estado.

Estrategia do Planalto

O Palácio do Planalto tenta postergar a discussão em Washington até um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente norte-americano Donald Trump, previsto para ocorrer nos EUA até o fim de março, mas sem data confirmada por causa da guerra no Oriente Médio.

Consequências e críticas

Para Gakiya, rotular o PCC como terrorista não traria ganhos práticos às investigações brasileiras e poderia gerar entraves burocráticos. Hoje, o Ministério Público troca informações diretamente com FBI e DEA; uma mudança de status poderia transferir esses dados para a CIA, restringindo o acesso de autoridades nacionais.

O promotor também alertou para possíveis impactos econômicos, como sanções e barreiras em organismos financeiros multilaterais, além da autorização para ações militares norte-americanas fora do território dos EUA em caso de classificação terrorista.

Apesar de reconhecer que o PCC pratica atos violentos, Gakiya reiterou que a facção não possui motivação política, racial ou religiosa – elementos comumente associados ao terrorismo internacional.

A próxima rodada de conversas em Boston deve aprofundar a análise dos EUA sobre a expansão do crime organizado brasileiro no exterior e seus reflexos na segurança regional.

Com informações de Gazeta do Povo