Rebeca Ramagem, procuradora do Estado de Roraima e esposa do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), declarou nas redes sociais nesta sexta-feira (9) que sua família enfrenta “tortura psicológica” desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou buscas, bloqueio de contas e outras medidas judiciais contra o casal.
Instalada nos Estados Unidos com o marido e as duas filhas desde setembro de 2025, a procuradora afirmou que o cenário criado pelas decisões do ministro Alexandre de Moraes gerou “impactos reais, concretos, emocionais e psicológicos” que a levaram a solicitar licença médica de 60 dias a partir de 22 de dezembro. Segundo ela, o afastamento foi recomendado por médicos e não se trata de escolha pessoal.
Rebeca relatou ter tido o salário, o 13º e contas bancárias bloqueados, inclusive a conta-salário, medida que diz comprometer a subsistência das filhas. “Estamos falando de verba alimentar”, escreveu. A procuradora sustentou que trabalhou normalmente durante todo o ano de 2025, entrou em férias amparada por lei e só tomou conhecimento do bloqueio ao tentar movimentar os recursos.
Recurso ao STF
No fim de dezembro, a defesa da procuradora ingressou com mandado de segurança no STF para liberar imediatamente as contas. O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça porque, pelo regimento interno, o relator da decisão contestada não pode analisar o recurso. Os advogados afirmam que não houve notificação formal nem base processual clara para a restrição financeira.
Situação de Ramagem
Condenado pelo STF em 11 de setembro de 2025, Alexandre Ramagem deixou o Brasil clandestinamente via Roraima e Guiana, chegando à Flórida no mesmo dia, segundo a Polícia Federal. Seu mandato de deputado federal foi cassado pela Câmara no fim de 2025, e ele é considerado foragido da Justiça brasileira. A mulher e as filhas juntaram-se a ele nos Estados Unidos em novembro.
Rebeca informou que, diante da “crueldade” das medidas, seria “irresponsável” retomar as funções na Procuradoria enquanto a família tenta recuperar a normalidade. Ela defendeu que a licença médica foi uma “necessidade clínica” para proteger a própria saúde mental e a das filhas.
Com informações de Gazeta do Povo