Em Brasília, voltou a circular com intensidade o rumor de que o ministro Luís Roberto Barroso, de 67 anos, poderia deixar o Supremo Tribunal Federal (STF) antes da aposentadoria compulsória, prevista apenas para março de 2033. O assunto ganhou corpo após a aplicação, pelos Estados Unidos, de sanções contra Alexandre de Moraes no âmbito da Lei Magnitsky Global e pela expectativa de que outras autoridades brasileiras, inclusive Barroso, venham a ser alvo de medidas semelhantes.
Barroso preside o STF até o fim de setembro de 2025. Pessoas próximas afirmam que ele tem alternado momentos de desânimo e disposição para permanecer no cargo. Entre os fatores que pesam a favor de uma possível saída antecipada estão o desgaste provocado por hostilidades nas redes e nas ruas desde seu período à frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 2022, além da perspectiva de ficar mais vulnerável sem o foro privilegiado caso as sanções se ampliem.
Possíveis destinos e proteção
No Palácio do Planalto, chegou a ser cogitada a indicação de Barroso para uma embaixada na Europa, o que manteria o status de ministro de Estado e o foro no Supremo Tribunal Federal. Outra opção seria permanecer na Corte por “alguns meses”, até que o Tribunal de Contas da União (TCU) aprecie, em 2026, as contas de sua gestão na presidência do Judiciário.
Relação próxima com os Estados Unidos
O ministro cultiva laços antigos com os EUA: foi intercambista ainda adolescente, concluiu mestrado na Faculdade de Direito de Yale em 1989, trabalhou no escritório Arnold & Porter e desde 2011 é professor visitante da Harvard Law School. Em janeiro de 2025 visitou Harvard, Yale e Princeton para palestras sobre defesa da democracia. A família também mantém vínculos: a filha Luna cursou mestrado em Yale, e o filho Bernardo atua como diretor do BTG Pactual em Miami. O magistrado declara possuir um imóvel na Flórida.
Cenário interno no STF
Se permanecer no tribunal, Barroso passará a integrar a Segunda Turma após a posse de Edson Fachin na presidência da Corte. O colegiado inclui Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e André Mendonça. Caberá a ele assumir processos remanescentes da Operação Lava Jato, área em que costuma divergir da maioria dos futuros colegas.
Entre as decisões que Barroso considera parte de seu legado estão a descriminalização do porte de maconha para uso pessoal, diretrizes para reduzir a letalidade policial em comunidades e a responsabilização ampliada de plataformas digitais por conteúdos considerados antidemocráticos. Ele também estimulou políticas internas para aumentar a presença de negros e mulheres na magistratura e difundiu o uso de linguagem mais simples nos tribunais.

Imagem: Rosinei Coutinho via gazetadopovo.com.br
Corrida pela possível vaga
O simples boato de uma cadeira aberta já movimenta candidatos. Circulam como principais interessados:
- Jorge Messias – advogado-geral da União, respaldado pelo governo e por advogados alinhados ao PT;
- Rodrigo Pacheco – presidente do Senado, visto com simpatia por ministros do STF, mas de quem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não gostaria de abrir mão em Minas Gerais para 2026;
- Bruno Dantas – ministro do Tribunal de Contas da União, apadrinhado por lideranças do Centrão e considerado para a iniciativa privada;
- Vinícius Carvalho – ministro da Controladoria-Geral da União, apoiado pelo ministro Gilmar Mendes e por parte do grupo Prerrogativas, porém tido como perfil técnico e menos político.
Quanto mais tempo Barroso permanecer no cargo, avaliam interlocutores, mais nomes devem surgir e maior será a disputa pública por apoio, inclusive com divulgação de notas na imprensa visando enfraquecer adversários.
A decisão final sobre uma eventual saída, contudo, continua restrita ao próprio ministro, que não indicou prazo para anunciar seus planos.
Com informações de Gazeta do Povo