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Escândalo do Banco Master aumenta desgaste para Lula e faz oposição cobrar investigação

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Brasília, 22/01/2026 – O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master ganhou contornos de crise institucional e ameaça atingir diretamente a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Parlamentares de oposição intensificam a pressão para que as apurações conduzidas pelo Banco Central (BC), Polícia Federal (PF) e Supremo Tribunal Federal (STF) avancem de forma transparente.

A proximidade entre Executivo e Judiciário é apontada por analistas como fator que potencializa o desgaste para o Palácio do Planalto. Decisões consideradas atípicas dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além de possíveis conflitos de interesse, ampliaram as críticas. Ganhou repercussão a informação de que um hotel de luxo no Paraná, que já pertenceu a familiares de Toffoli, teria ligação com parentes de Daniel Vorcaro, proprietário do Master.

Encontros reservados no Planalto

Na semana passada, Lula reuniu ministros, o vice-presidente, o diretor-geral da PF, representantes do Ministério Público, da Receita Federal e integrantes do STF. Segundo o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, o caso Master dominou a pauta do encontro.

Dias antes, o então ministro da Justiça Ricardo Lewandowski deixara o cargo alegando motivos familiares; nos bastidores, pesava o temor de ver seu nome associado ao banco, do qual foi conselheiro. Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, saiu em defesa da atuação do BC, classificando a ocorrência como “possivelmente a maior fraude bancária da história do Brasil”.

Oposição quer CPMI e fim do sigilo

O sigilo das comunicações entre o BC e o ministro Alexandre de Moraes foi chamado de “inaceitável” pelo senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG). Na Câmara, a deputada Bia Kicis (PL-DF) coleta assinaturas para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) exclusiva sobre o tema, movimento que conta com o apoio da senadora Damares Alves (Republicanos-DF). A deputada Júlia Zanatta (PL-SC) também exige investigação “sem deixar pedra sobre pedra”.

No Senado, o presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), Renan Calheiros (MDB-AL), formou subcomissão suprapartidária com sete integrantes para acompanhar as apurações de supostas irregularidades praticadas por órgãos públicos no episódio.

Impacto eleitoral em debate

Especialistas veem potencial de desgaste prolongado. Para Adriano Cerqueira, professor de Ciência Política do Ibmec-BH, o fim das investidas do STF contra o ex-presidente Jair Bolsonaro retirou foco da comunicação do governo, deixando espaço para que a oposição lidere críticas no caso Master. O cientista político Adriano Gianturco avalia que a proximidade entre Executivo e Judiciário pode refletir mais negativamente sobre Lula e a esquerda ao longo do tempo, embora pesquisas ainda sejam necessárias para dimensionar o impacto.

Juan Carlos Arruda, diretor-geral da ONG Ranking dos Políticos, prevê que, em ano eleitoral, o episódio será usado intensamente contra figuras públicas citadas nas denúncias. Segundo o diretor da consultoria política Ética, Marcus Deois, a falta de liderança partidária clara no escândalo demonstra suas ramificações amplas e transversais.

Enquanto novas revelações surgem e órgãos de controle aprofundam diligências, governo e oposição se preparam para uma disputa narrativa que tende a se prolongar durante todo o ciclo eleitoral de 2026.

Com informações de Gazeta do Povo