Brasília – 15/03/2026. O avanço das investigações sobre o Banco Master recolocou o combate à corrupção no centro da disputa eleitoral de 2026. Denúncias de desvio de recursos, tráfico de influência e suspeitas que alcançam autoridades dos Três Poderes transformaram o caso em uma das principais pautas do debate público.
Corrupção sobe nas pesquisas de opinião
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, realizada entre 19 e 24 de fevereiro com 4.986 eleitores, apontou a corrupção como o maior problema do país para 54,3% dos entrevistados, praticamente empatada com criminalidade e tráfico de drogas (53,3%). A margem de erro é de um ponto percentual, com 95% de confiança.
No levantamento Genial/Quaest, feito de 6 a 9 de março com 2.004 eleitores, a violência manteve o primeiro lugar (27%), mas a preocupação com a corrupção saltou de 17% para 20% em um mês, alcançando a segunda posição. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Já o Datafolha, entre 3 e 5 de março, registrou 9% de menções à corrupção como principal problema nacional — um ponto acima de dezembro. O instituto ouviu 2.004 pessoas em 137 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Especialistas veem repercussão maior que escândalos anteriores
Para o cientista político Antônio Flávio Testa, o caso Master pode superar mensalão (2005) e petrolão (2014) em impacto político por envolver simultaneamente Judiciário, Executivo, Legislativo e, possivelmente, organizações criminosas.
Leandro Gabiati, professor de Ciência Política do Ibmec-DF, destaca que não se trata de um “renascimento lava-jatista”, mas de um retorno da pauta anticorrupção, agora ampliada a todo o espectro partidário. Ele lembra que as investigações tramitam no Supremo Tribunal Federal contra dois ministros da Corte, algo inédito em escândalos anteriores.
Novo assume protagonismo anticorrupção
Com a exposição do Banco Master, o partido Novo passou a ser o principal porta-voz de medidas de investigação. No Senado, Eduardo Girão (Novo-CE) cobrou em 24 de fevereiro a criação da CPI do Banco Master, alegando apoio de 51 senadores. No início de março, voltou à tribuna defendendo a abertura imediata de uma CPMI.
O Podemos, que reuniu Sergio Moro e Deltan Dallagnol entre 2021 e 2022, perdeu espaço após a saída de ambos: Moro elegeu-se senador pelo União Brasil, enquanto Dallagnol foi cassado pelo TSE em 2023 sob acusação de driblar a Lei da Ficha Limpa ao deixar o Ministério Público Federal.
Legado da Lava Jato enfraquecido
A Operação Lava Jato, deflagrada em 2014, inspirou a eleição de figuras “antissistema” em 2018, mas sofreu reveses decisivos. Em 2021, o STF anulou as condenações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Em 2024, decisões do Supremo suspenderam multas bilionárias de acordos de leniência, reforçando a percepção de esvaziamento do legado da operação.
Efeito eleitoral favorece oposição
Analistas apontam que a retomada do tema corrupção tende a beneficiar candidatos de oposição, especialmente à direita. O professor Elton Gomes, da Universidade Federal do Piauí, avalia que o sentimento anti-establishment pressiona a campanha de 2026, embora não tenha, por ora, a mesma força de 2018. Para conter o desgaste, o presidente Lula tem buscado associar o caso Master ao combate a “magnatas da corrupção”.
Com suspeitas sobre Banco Central, STF e fundos públicos, o escândalo continuará a pautar discursos e estratégias eleitorais ao longo do ano, deixando o combate à corrupção entre os temas decisivos para o voto em outubro de 2026.
Com informações de Gazeta do Povo