O avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas sondagens eleitorais levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a rever a estratégia para 2026. Depois de aparecer tecnicamente empatado com o adversário, Lula determinou a aliados que adotem postura mais combativa e coloquem o chamado “pacote de bondades” no centro da campanha.
Pesquisas acendem alerta no Planalto
Divulgado em 30 de março, levantamento do Paraná Pesquisas apontou Flávio com 45,2% das intenções de voto contra 44,1% de Lula em eventual segundo turno. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, pesquisa Atlas/Estadão publicada em 1.º de abril mostrou o senador com 49%, ante 44% do petista.
Orientação para ofensiva
Em reunião ministerial, Lula pediu que auxiliares “vão para cima” na defesa do governo, enfatizando programas sociais e obras federais. A estratégia inclui:
- Isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil;
- Ampliação dos programas Gás para o Povo e Pé-de-Meia;
- Maior presença de ministros e parlamentares nos meios de comunicação e nas redes sociais.
Tensão na comunicação
O chefão da Casa Civil, Rui Costa, questionou publicamente a eficácia da comunicação do Planalto e citou o ministro Sidônio Palmeira (Secom). O episódio expôs divergências internas e levou Palmeira a anunciar veiculação de comerciais regionais destacando entregas do governo. Ele também pediu divulgação orgânica das ações por parte dos colegas.
PT mobiliza bancada
Durante almoço com a executiva do partido, o presidente do PT, Edinho Silva, relatou que o PL já dispõe de forte estrutura jurídica e de comunicação. Aos deputados, Edinho solicitou alinhamento ao discurso presidencial e maior repetição das mensagens do Planalto.
Programas sociais em xeque
O cientista político Lucas Fernandes, da BMJ Consultores Associados, avalia que iniciativas como o Bolsa Família seguem relevantes, mas não determinam sozinhas o voto. Para ele, medidas recentes atingem segmentos específicos, enquanto parte expressiva da população permanece na informalidade e fora do alcance direto dos benefícios.
Metodologia dos levantamentos
O Paraná Pesquisas entrevistou 2.080 eleitores entre 25 e 28 de março; margem de erro de 2,2 pontos percentuais e 95% de confiança (registro TSE BR-00873/2026). Já a Atlas/Estadão ouviu 2.254 eleitores paulistas de 24 a 27 de março; margem de erro de 2 pontos e 95% de confiança (registro BR-01079/2026).
Com o cenário de empate técnico e críticas internas, o governo aposta no reforço da comunicação e na maior exposição dos programas sociais para tentar conter a perda de popularidade de Lula.
Com informações de Gazeta do Povo