ONU, 5 jan. 2026 – O embaixador do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU), Sérgio Danese, repudiou nesta segunda-feira (5) a operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do presidente venezuelano Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Em reunião de emergência do Conselho de Segurança, o diplomata afirmou que “os fins não justificam os meios” e defendeu o respeito absoluto ao direito internacional.
“As regras que regem a coexistência entre Estados são obrigatórias e universais. Não admitem exceções baseadas em interesses ou projetos ideológicos, geopolíticos, políticos ou econômicos”, declarou Danese ao plenário. Segundo ele, permitir brechas abriria espaço para que os mais fortes definam “o que é justo ou injusto, correto ou incorreto”.
Embora não ocupe assento no Conselho neste biênio, o Brasil solicitou a palavra, prerrogativa prevista no regulamento da ONU. No sábado (3), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia classificado a ofensiva norte-americana como “inaceitável”.
Danese reforçou que qualquer intervenção armada contra a soberania, a integridade territorial ou as instituições de um país “deve ser condenada com veemência”. Ele acrescentou que cabe ao Conselho de Segurança reagir “com clareza e respeito ao direito internacional” para impedir que “a lei da força se sobreponha à força da lei”.
O representante brasileiro concluiu defendendo que o futuro político da Venezuela seja decidido “pelo próprio povo venezuelano, sem ingerências externas”. A sessão do Conselho analisa a legalidade do ataque norte-americano e o destino judicial de Maduro, que permanece detido sob acusação de narcoterrorismo e pode enfrentar prisão perpétua, além de confisco de bens.
Com informações de Gazeta do Povo