Setores do Partido dos Trabalhadores (PT) entraram em rota de colisão sobre a manutenção de Geraldo Alckmin como vice na chapa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A disputa interna, exposta em reunião da executiva petista em São Paulo no início da semana, levou o PSB a reagir publicamente e acusar o PT de tratar Alckmin de forma “injusta”.
A crise ganhou força após dirigentes petistas cogitarem substituir o vice em meio a conversas para uma eventual aliança com o MDB, partido que atualmente comanda três ministérios no governo federal. A possibilidade de troca criou apreensão na base aliada.
“Tenho certeza de que ele continua de vice. É injusto o que estão fazendo com ele; um vice leal não merecia passar por isso”, afirmou o líder do PSB na Câmara, deputado Jonas Donizette (SP), em entrevista concedida na quarta-feira (25). O parlamentar alertou que uma mudança poderia gerar “instabilidade política”, lembrando que “em política não existe cadeira vazia”.
Para reforçar a permanência de Alckmin, o presidente nacional do PSB e prefeito do Recife, João Campos, encontrou-se com Lula no Palácio do Planalto em 10 de fevereiro. O encontro durou cerca de uma hora. Ao deixar a reunião, Campos disse ter saído “animado e seguro” quanto à continuidade da parceria PT-PSB.
“Há uma relação de carinho e respeito entre eles. Essa conversa é sempre franca e amistosa com o presidente Lula, que sabe da importância dessa construção para o nosso partido”, declarou o dirigente socialista.
A decisão final sobre a composição da chapa deve ser anunciada até as convenções partidárias, previstas para o meio do ano. Enquanto isso, lideranças de ambos os partidos seguem em negociações para tentar superar o impasse sem ampliar o desgaste público.
Com informações de Gazeta do Povo