O ministro André Mendonça, novo relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou na noite desta quarta-feira (4) a terceira fase da Operação Compliance Zero e determinou a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e de outros investigados. A decisão atendeu integralmente a pedidos da Polícia Federal (PF) e expôs o distanciamento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que não apoiou as medidas.
Críticas à falta de apoio da PGR
A PF encaminhou os requerimentos na sexta-feira (27) e recebeu prazo de 72 horas para manifestação da PGR, esgotado na segunda (2). O órgão do Ministério Público alegou tempo insuficiente e ausência de “perigo iminente”. Mendonça discordou com veemência: destacou “fartos indícios” de ameaças físicas, monitoramento ilegal de autoridades e acesso indevido a dados sigilosos da própria PF, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais como Interpol e FBI.
Ameaças e milícia privada
Conversas interceptadas mostraram Vorcaro ordenando violência contra ex-funcionários e contra o jornalista Lauro Jardim. Em uma das mensagens, ele autoriza o segurança Felipe Mourão, apelidado de “Sicário”, a “quebrar os dentes” do colunista por reportagens negativas. Outro diálogo traz Vorcaro determinando que uma ex-empregada fosse “moída” após suposta chantagem.
Segundo a PF, Mourão recebia R$ 1 milhão mensais de Fabiano Zettel, cunhado e operador de Vorcaro, para comandar um grupo batizado de “A Turma”, descrito como milícia particular que contava inclusive com um escrivão aposentado da PF.
Bloqueio bilionário e novas medidas
A investigação apurou ainda que, na segunda fase da operação, em janeiro, foram bloqueados R$ 2,2 bilhões em conta vinculada ao pai de Vorcaro na gestora Reag, suspeita de lavar dinheiro do PCC. Agora, além das prisões, Mendonça afastou dois servidores do Banco Central por suposta corrupção e suspendeu cinco empresas ligadas ao grupo, apontadas como instrumentos de pagamento de propina e financiamento da milícia.
Mudança de condução no STF
Mendonça assumiu a relatoria em fevereiro, após Dias Toffoli deixar o caso em meio a questionamentos sobre medidas consideradas “heterodoxas” pela PF e a revelação de viagens em jato privado com advogado ligado a investigados. Desde então, delegados e agentes relatam maior confiança no Supremo. Logo nos primeiros despachos, o ministro restringiu o acesso a relatórios para conter vazamentos.
Prisão prolongada e análise da Segunda Turma
Ao justificar as ordens de captura, o magistrado apontou risco à instrução do processo, à ordem pública e à aplicação da lei penal. Por solicitação da PF, determinou que os detidos fiquem em penitenciárias estaduais, adequadas a longas permanências. Audiências de custódia ocorrem nesta quinta (5), mas Mendonça vetou a concessão de liberdade por juízes de plantão; qualquer revisão caberá a ele.
As prisões serão avaliadas pela Segunda Turma do STF em sessão virtual que começa em 13 de março, com participação dos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.
Defesa nega ameaças
Em nota, a assessoria de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “jamais teve intenção de intimidar jornalistas” e que as mensagens foram “tiradas de contexto”. A defesa sustenta que ele colabora com as autoridades, nega tentativa de obstrução e confia no esclarecimento total dos fatos.
Com informações de Gazeta do Povo