Levantamento da AtlasIntel, realizado em parceria com o jornal Estadão e divulgado nesta sexta-feira (20), indica que 60% dos brasileiros não confiam no Supremo Tribunal Federal (STF), o maior índice de desconfiança desde o início da série histórica da pesquisa.
O resultado coincide com a repercussão do caso Master, escândalo que, segundo o estudo, é conhecido por quase 75% dos entrevistados. Para juristas ouvidos, o episódio envolvendo o banco afetou diretamente a imagem da Corte, sobretudo após a exposição de ministros como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Percepção de parcialidade
Além da falta de confiança, 60% dos participantes afirmam não enxergar imparcialidade nos julgamentos do STF e acreditam que investigados não recebem tratamento igualitário. Outros 77% apontam influência de fatores externos — políticos, partidos ou grupos poderosos — nas decisões relacionadas ao caso Master.
Perguntados sobre o processo de liquidação do banco, 53% disseram que ele não deveria ser analisado pelo Supremo; 66% veem envolvimento direto de algum ministro e 62% consideram excessivo o nível de sigilo aplicado.
Comparação com outras instituições
A pesquisa mostra também que a desconfiança é ainda maior em relação ao Congresso Nacional, alcançando 86%. Já o governo federal soma 59% de descrédito, patamar próximo ao do STF.
Imagem dos ministros
Gilmar Mendes aparece com a maior taxa de avaliação negativa (67%). Alexandre de Moraes tem desaprovação de 59% e aprovação de 37%. Flávio Dino registra 40% de percepção positiva, ficando atrás apenas de André Mendonça, aprovado por 43%. Kassio Nunes Marques é um dos menos bem avaliados, com 22% de aprovação.
Pressão sobre Dias Toffoli
Quase metade dos entrevistados (49,3%) defende o impeachment imediato de Dias Toffoli, enquanto 33,7% condicionam a destituição à comprovação de envolvimento no escândalo. Para o advogado e historiador Enio Viterbo, todos os ministros carregam parte da responsabilidade pelo atual desgaste da Corte.
Metodologia
O estudo foi realizado entre 16 e 19 de março de 2026, com 2.090 entrevistas em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Com informações de Gazeta do Povo