Brasília – O vice-líder da oposição na Câmara, deputado Ubiratan Sanderson (PL-RS), protocolou no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) um pedido para que o corregedor nacional de Justiça, ministro Mauro Campbell Marques, abra um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o afaste cautelarmente do cargo.
O requerimento, formalizado no Ofício nº 326/2025 em 24 de dezembro, sustenta que reportagens apontam contatos reiterados de Moraes com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, durante a análise da venda do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Segundo as publicações, houveram ligações telefônicas e ao menos um encontro presencial enquanto técnicos do BC discutiam se deveriam intervir na instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.
De acordo com o deputado, o ministro teria defendido a posição do Banco Master ao repetir argumentos atribuídos a Vorcaro, alegando que a instituição estaria sendo “injustamente combatida” por disputar espaço dominado por grandes bancos. Servidores do BC teriam considerado essas abordagens fora do padrão e, por precaução, registrado reuniões e comunicações relativas ao caso.
Posteriormente, auditorias do Banco Central identificaram indícios de fraudes na transferência de cerca de R$ 12,2 bilhões em créditos do Master para o BRB. As apurações resultaram na liquidação extrajudicial do banco e em investigações da Polícia Federal que levaram à prisão de Vorcaro e de outros executivos.
Sanderson também menciona em seu pedido um contrato milionário entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Associados, pertencente à esposa do ministro. O documento, segundo as reportagens citadas, previa a representação dos interesses do banco junto a órgãos como Banco Central, Receita Federal, Cade e Congresso Nacional. Embora BC e Cade afirmem não ter recebido petições formais do escritório, o parlamentar vê possibilidade de atuação informal e conflito de interesses.
O ofício entregue ao CNJ solicita a coleta de documentos, registros de comunicações e agendas relacionadas ao episódio, além da oitiva de técnicos do BC e demais envolvidos. Sanderson afirma que o objetivo é assegurar “apuração técnica, transparente e isenta”, sem antecipar juízo de culpa.
Até o momento, não houve manifestação pública do ministro Alexandre de Moraes sobre o pedido.
Com informações de Gazeta do Povo