O resultado primário das contas do governo federal acumulou déficit de R$ 100,4 bilhões nos nove primeiros meses de 2025, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (30). O montante, que exclui despesas com juros da dívida, é ligeiramente menor que o registrado no mesmo período de 2024 (R$ 103,6 bilhões), mas ainda coloca em risco a meta oficial de equilíbrio fiscal.
Receitas e despesas
No intervalo de janeiro a setembro, a receita líquida, já descontadas as transferências a Estados e municípios, somou R$ 1,686 trilhão, alta real de 3,5% sobre 2024. As despesas alcançaram R$ 1,787 trilhão, avanço de 2,8% na mesma base de comparação.
Principais componentes
A maior pressão sobre as contas continua vindo da Previdência Social, que registrou saldo negativo de R$ 286,3 bilhões. O Tesouro Nacional apresentou superávit de R$ 186,4 bilhões, enquanto o Banco Central anotou déficit de R$ 523 milhões.
Meta fiscal
Para 2025, o governo fixou meta de déficit zero, com margem de tolerância de 0,25% do PIB (cerca de R$ 31 bilhões). No último relatório de receitas e despesas, a previsão oficial é encerrar o ano com déficit de R$ 73,5 bilhões. Como parte das despesas — entre elas precatórios e ressarcimentos do INSS — fica fora do cálculo, o saldo considerado pelas regras fiscais seria um rombo de R$ 30,2 bilhões, quase no limite permitido.
Risco de descumprimento
A Instituição Fiscal Independente (IFI) calcula que o governo ainda precisa encontrar R$ 27,1 bilhões no último trimestre para alcançar a meta. Uma parte desse valor pode vir de medidas incluídas em projeto de lei aprovado pela Câmara na quarta-feira (29), que endurece regras para compensações tributárias e insere o programa Pé-de-Meia no piso constitucional da educação. O texto ainda depende do Senado e de sanção presidencial.
O desempenho fiscal continuará a ser acompanhado de perto nos próximos meses, à medida que o governo busca fontes adicionais de receita e contenção de gastos para cumprir o objetivo traçado para 2025.
Com informações de Gazeta do Povo