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De quase desmaio a aposta no Planalto: os dez anos que mudaram Flávio Bolsonaro

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Brasília – Dez anos depois de sair de um debate para a prefeitura do Rio de Janeiro quase desmaiando e terminar a disputa em quarto lugar, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) desponta como pré-candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.

O episódio de 2016

No debate da Band de 22 de setembro de 2016, o então deputado estadual ficou em silêncio diante de uma pergunta do mediador e, prestes a cair, foi amparado pelos adversários Jandira Feghali (PCdoB) e Carlos Osório (à época no PSDB). O encontro foi interrompido para atendimento médico e Flávio abandonou o estúdio.

Apesar da repercussão, o incidente não definiu o resultado: Flávio alcançou 14% dos votos válidos e ficou em quarto lugar no primeiro turno. Marcelo Crivella (Republicanos, então PRB) acabou eleito no segundo turno contra Marcelo Freixo (PT, à época no PSOL). Foi a única derrota eleitoral do primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Estratégia familiar e salto em 2018

A candidatura à prefeitura serviu como teste. Mesmo criticando inicialmente a iniciativa, Jair Bolsonaro avaliou o desempenho sem alianças partidárias como positivo. Dois anos depois, a marca Bolsonaro avançou: Jair foi eleito presidente, Flávio conquistou o Senado com 4.380.418 votos – o maior colégio eleitoral do Rio – e Eduardo Bolsonaro tornou-se o deputado federal mais votado do país, com 1.843.735 votos.

Cenário mudou: prisão do pai e cassação do irmão

O panorama político da família alterou-se após 2022. Jair Bolsonaro perdeu a reeleição para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e, em 2025, foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e três meses de prisão por organização criminosa, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado com violência e deterioração de patrimônio tombado. Cumpre pena no Complexo Penitenciário da Papuda.

Eduardo Bolsonaro teve o mandato cassado pela Mesa Diretora da Câmara por faltas sucessivas e mudou-se para os Estados Unidos, em março de 2025, alegando perseguição política.

Indicação direta para 2026

Em carta divulgada no início de dezembro de 2025, Jair Bolsonaro declarou Flávio seu herdeiro político e pré-candidato ao Planalto. O movimento surpreendeu alas da direita que cogitavam os governadores Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Junior (PSD-PR).

Lideranças do campo conservador rapidamente aderiram. O senador Ciro Nogueira (PP-PI) afirmou que “se tivesse de escolher um nome, não teria dúvida”. Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Rogério Marinho (PL-RN), Bia Kicis (PL-DF), Gustavo Gayer (PL-GO) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também declararam apoio público.

Pesquisas mostram avanço

Levantamento Datafolha de 6 de dezembro de 2025 indicava vantagem de 15 pontos de Lula sobre Flávio em cenário de segundo turno (51% a 36%). Três meses depois, entre 3 e 5 de março de 2026, nova pesquisa do instituto registrou queda da diferença para 3 pontos: 49% a 46%, dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais.

A sondagem mais recente ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios e foi registrada no TSE sob o número BR-03715/2026. O nível de confiança é de 95%.

Perfil moderado

Ao anunciar a pré-campanha, Flávio ressaltou a intenção de ocupar espaço mais ao centro: “Sempre pediram um Bolsonaro mais moderado e eu sempre fui assim”. Até aqui, o senador manteve atuação discreta no Congresso, distanciando-se do tom combativo do pai e dos irmãos.

Resta saber se a imagem construída desde o quase desmaio em 2016 resistirá à disputa direta com Lula nos debates de 2026 – palco que, segundo o próprio Flávio, será decisivo para “atropelar” as críticas.

Com informações de Gazeta do Povo