Brasília – O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, 41 anos, é apontado no Palácio do Planalto como favorito para substituir Fernando Haddad, que sinalizou que deixará o cargo em fevereiro de 2026, ano eleitoral. A escolha, ainda não oficializada, tende a assegurar a continuidade da atual estratégia fiscal do governo Lula.
Perfil discreto e técnico
Servidor de carreira da Advocacia-Geral da União (AGU), Durigan é descrito por interlocutores como reservado e habilidoso na articulação política. Ele mantém relação respeitosa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e trânsito considerado positivo na Casa Civil, sem protagonizar crises públicas.
No Congresso, sua atuação tem sido pragmática, característica que reduziu resistências partidárias. Fora do núcleo histórico do PT, conta com aceitação por não carregar vinculação partidária relevante, mas depende de capacidade de negociação para avançar pautas econômicas.
Expectativa de continuidade
A eventual nomeação de Durigan é vista por analistas como um movimento para evitar turbulências no último ano do mandato. A avaliação predominante no mercado financeiro é de que o rumo da política econômica deve permanecer intacto, focado em recompor receitas sem enfrentar de forma direta o crescimento das despesas públicas.
Para Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, “do ponto de vista econômico, não muda nada”. Ele lembra que o calendário eleitoral limita novas iniciativas e que o próximo titular da Fazenda terá pouco tempo para apresentar medidas relevantes.
Thiago Sbardelotto, analista da XP Investimentos, compartilha a percepção. Segundo ele, as principais diretrizes de 2026 já passaram pelo Congresso, restando ao futuro ministro “executar o que está contratado”.
Desafios fiscais permanecem
O possível sucessor de Haddad encontrará um cenário de dívida pública em alta. Dados do Banco Central mostram que o endividamento do governo alcançou 78,7% do PIB em dezembro de 2025. Mesmo com a aprovação do arcabouço fiscal, a regra só vem sendo cumprida após a exclusão de despesas que totalizam R$ 336,9 bilhões desde 2023.
Conforme o economista Alexandre Manoel, sócio da Global Intelligence and Analytics, a sucessão “expõe o limite da autonomia técnica”, pois a palavra final continua com o presidente Lula, que reluta em promover ajustes mais duros nos gastos.
Trajetória no setor público e privado
Graduado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em Direito e Pesquisa Jurídica pela Universidade de Brasília (UnB), Durigan soma mais de 13 anos no serviço público. Na AGU, iniciou em 2010 como coordenador de projetos.
Entre 2011 e 2015, atuou como assessor da Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil durante o governo Dilma Rousseff. O contato com Fernando Haddad se intensificou quando foi assessor especial na Prefeitura de São Paulo, de 2015 a 2016.
Após breve retorno à AGU em 2017, assumiu a direção de Políticas Públicas do WhatsApp no Brasil, o que ampliou seu trânsito em meio empresarial. De volta à equipe de Haddad no início da gestão Lula, tornou-se peça-chave na negociação de medidas como a tributação de fundos exclusivos e offshores, além da revisão de benefícios fiscais.
Próximos passos
Durigan ainda não comentou publicamente sobre a possibilidade de chefiar a Fazenda. Haddad, porém, tem enfatizado a “formação sólida” do secretário-executivo e sua “visão abrangente” sobre temas econômicos. Apesar das articulações, o ministro ressalta que a decisão final caberá a Lula.
Enquanto o martelo não é batido, a equipe econômica trabalha para preservar a agenda já aprovada e minimizar tensões com o mercado e o Congresso, mirando um final de mandato sem sobressaltos.
Com informações de Gazeta do Povo