Brasília – A direção nacional da Rede Sustentabilidade divulgou nota, no domingo (5) e publicada nesta terça-feira (7), na qual manifesta “perplexidade e indignação” diante da escolha da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva de continuar filiada à legenda.
O posicionamento oficial agrava o racha interno que já vinha sendo exposto por trocas de comunicados públicos e ações judiciais. Segundo a executiva, em nenhum momento foi sugerida a saída de Marina, mesmo depois de ela ter apoiado Aécio Neves (PSDB) na eleição presidencial de 2014, defendido o impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016 e apoiado a intervenção federal no Rio de Janeiro em 2018.
Acusações de falta de diálogo
Na nota, a direção afirma que Marina resiste a dialogar com a cúpula partidária. “Não atender pretensões pessoais de uma liderança não é autoritarismo. É compromisso com a vida democrática interna”, diz o texto, que ressalta a necessidade de respeito às decisões coletivas.
Marina promete “restauração” dos princípios
Ao confirmar que não deixará a sigla, Marina declarou que pretende “restaurar os princípios e valores da Rede” e citou o manifesto de fundação para embasar sua decisão. A ex-senadora também defendeu o fortalecimento da federação com o PSOL e a aproximação com PT, PSB, PV, PDT e PCdoB, partidos que, segundo ela, “não se deixam capturar pelo autoritarismo e pelo negacionismo”.
Crítica interna às redes sociais do partido
O coordenador de comunicação da Rede, Marco Mills Martins, classificou a manifestação de Marina nas redes da sigla como “desrespeitosa” e “repleta de inverdades”. Ele cobrou apuração sobre o suposto uso indevido dos canais oficiais sem aval dos filiados.
Disputa com Heloísa Helena
A crise também envolve a deputada federal Heloísa Helena (Rede-RJ), que disputa na Justiça o comando do partido. A executiva acusa Marina de praticar lawfare ao judicializar o resultado do 5º Congresso Nacional da Rede. O partido sustenta que a maior parte das ações foi rejeitada e que a atual direção segue reconhecida, inclusive com integrantes do grupo de Marina.
Palanques de 2026
No encerramento do comunicado, a sigla afirma que novas filiações são bem-vindas “desde que respeitem as regras partidárias e do bom convívio” e garante que as definições sobre as eleições de 2026 ocorrerão “com diálogo e bom senso, mas de forma altiva e sem interferências externas”.
Com informações de Gazeta do Povo