Brasília, 2 de março de 2026 – O avanço das ações militares de Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã, neste início de março, colocou em lados opostos o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), ambos cotados para a disputa ao Palácio do Planalto em 2026.
Postura do Planalto
Em nota oficial, o governo Lula condenou a ofensiva coordenada em território iraniano e reiterou defesa de uma saída “estritamente diplomática e multilateral”, condicionada a aval explícito da Organização das Nações Unidas (ONU). O Planalto sustenta que a não intervenção e a autodeterminação dos povos são princípios históricos da diplomacia brasileira. Críticos, porém, avaliam que o discurso pacifista tende a favorecer regimes considerados autoritários.
Reação do senador
Flávio Bolsonaro classificou o posicionamento do Executivo como “inaceitável”. Para o parlamentar, o Brasil deve alinhar-se integralmente a Washington e Tel Aviv, sob o argumento de que liberdade e democracia prevalecem sobre qualquer neutralidade. Ele sustenta que o enfraquecimento da teocracia iraniana aumentaria a segurança global e o combate ao terrorismo, reforçando “valores da civilização ocidental”.
Agendas internacionais em disputa
De olho no eleitorado, Flávio intensificou viagens ao exterior para aproximar-se da direita global: passou por Estados Unidos, países europeus e pelo Oriente Médio, onde se encontrou com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Já Lula reduziu deslocamentos internacionais, priorizando pautas domésticas e tratativas econômicas pontuais. O presidente busca manter diálogo com Donald Trump sobre minerais raros e cooperação contra o crime organizado.
‘Persona non grata’ em Israel
Lula foi declarado persona non grata por Israel depois de comparar as ações militares em Gaza ao Holocausto. A fala provocou crise diplomática que incluiu a convocação do embaixador brasileiro para reprimenda. A oposição explora o desgaste para apresentar Flávio Bolsonaro como nome capaz de reaproximar Brasília de Jerusalém.
Política externa no centro da campanha
Analistas avaliam que, para 2026, a pauta internacional ganhou peso semelhante a economia e segurança pública. Enquanto Lula aposta no fortalecimento do chamado Sul Global, a direita tenta chancelar suas propostas junto a grandes democracias liberais e ao mercado financeiro, evitando a impressão de subordinação.
Com a escalada no Oriente Médio e a disputa eleitoral em curso, a condução da diplomacia brasileira tornou-se um dos principais pontos de contraste entre os dois pré-candidatos.
Com informações de Gazeta do Povo