A Suprema Corte brasileira enfrenta uma das piores tensões internas dos últimos anos desde que vieram a público, em 22 de fevereiro de 2026, indícios de relações financeiras entre dois de seus integrantes e o Banco Master. O episódio abalou a coesão entre os 11 ministros e provocou uma crise de credibilidade diante da opinião pública.
Pagamentos milionários sob investigação
As apurações ligam o ministro Dias Toffoli ao banqueiro Daniel Vorcaro por meio de supostos repasses de R$ 35 milhões a uma empresa da família do magistrado. Já o ministro Alexandre de Moraes é questionado após vir a público que o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, firmou contrato de R$ 129 milhões com o banco. Ambos negam qualquer irregularidade.
Reações dentro do plenário
O mal-estar ganhou corpo quando colegas classificaram decisões recentes de Toffoli e Moraes como “heterodoxas”. Em reunião reservada, os demais ministros decidiram retirar Toffoli da relatoria do inquérito que envolve o Master. Moraes, por sua vez, foi alvo de críticas após autorizar buscas e apreensões contra servidores da Receita Federal sem comunicar o colegiado, gerando suspeitas de que estaria coletando dados sigilosos para possíveis dossiês.
Proposta de código de ética divide a Corte
Para tentar conter o desgaste, o presidente do STF, Edson Fachin, anunciou a elaboração de um código de ética interno. A ideia, porém, enfrenta resistência de um grupo que vem usando veículos de imprensa para atacar a iniciativa e rotular Fachin de “Frachin”, numa insinuação de fragilidade na liderança.
Do consenso à discórdia
Entre 2019 e 2023, o tribunal manteve postura unificada frente a pressões externas, especialmente durante a crise política do período Bolsonaro. A condenação do ex-presidente e sua saída de cena expuseram, entretanto, fissuras antes contidas. Diferentemente de disputas passadas — focadas em teses jurídicas —, o atual rompimento decorre de suspeitas de envolvimento direto em escândalos financeiros e do receio de novos vazamentos.
Efeito na opinião pública
Pesquisa recente mostra que 82% dos brasileiros defendem a implementação imediata de regras mais rígidas de conduta para os ministros do Supremo. A queda na confiança popular reflete o clima de desconfiança que domina os bastidores da mais alta instância do Judiciário.
Sem consenso sobre como lidar com as suspeitas e com a proposta de novo código de ética, a crise permanece aberta e segue minando a unidade do tribunal.
Com informações de Gazeta do Povo