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Crise do Banco Master pressiona STF e ameaça cenário eleitoral de 2026

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Brasília — O escândalo financeiro que levou o Banco Central (BC) a decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master em 18 de novembro de 2025 segue provocando abalos na Praça dos Três Poderes e pode mexer com a corrida eleitoral de 2026. Documentos da Polícia Federal indicam fraude superior a R$ 12 bilhões na venda de títulos e carteiras de crédito consignado sem lastro ao Banco de Brasília (BRB), operação aprovada internamente e chancelada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A partir da deflagração da Operação Compliance Zero, o proprietário do banco, Daniel Vorcaro, e outros executivos foram presos, mas deixaram a cadeia após 11 dias. A defesa conseguiu levar o processo ao Supremo Tribunal Federal (STF), ficando sob relatoria do ministro Dias Toffoli, que condicionou todos os atos à Corte e colocou o caso em sigilo.

Ministros sob pressão

Toffoli viajou a Lima, no Peru, no avião de um empresário acompanhado do advogado de um investigado, fato que aumentou o desgaste da imagem do tribunal. Pouco depois, surgiu a informação de que o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes mantinha contrato de R$ 129 milhões com o Banco Master, valor considerado bem acima da média de mercado por escritórios de grande porte. No mesmo período, Moraes teria telefonado seis vezes ao presidente do BC, Gabriel Galípolo, para questionar a compra do Master pelo BRB, gerando acusações de influência indevida.

Atuação do TCU

No Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Jhonatan de Jesus, indicado ao cargo em 2023, ordenou inspeção urgente no BC para apurar a liquidação; após repercussão negativa, recuou da decisão. A movimentação reforçou suspeitas de tentativa de proteger conexões políticas de Vorcaro, segundo parlamentares da oposição.

Reflexo nas urnas

Analistas ouvidos preveem que candidatos alinhados a pautas anticorrupção e de crítica ao STF podem ganhar força, especialmente nas disputas ao Senado — responsável por sabatinar ministros da Corte e diretores do BC. A eventual Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) sobre o Banco Master, que já reúne as assinaturas necessárias, é vista como fator decisivo para ampliar o impacto do caso sobre a opinião pública. Embora conte com 243 adesões, o pedido não recebeu apoio significativo de governistas e ainda aguarda o reinício dos trabalhos legislativos.

Nos bastidores, avalia-se que uma eventual delação de Vorcaro poderia expor nomes com projetos eleitorais. O risco é maior para políticos do Distrito Federal, onde o BRB tem sede e apoiou a compra do banco: o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a vice-governadora Celina Leão (PP), ambos cotados para 2026, já revisaram o discurso e admitem danos potenciais.

A crise também mira o Palácio do Planalto. Especialistas ponderam que a tentativa de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode ser afetada se opositores vincularem a controvérsia à instabilidade econômica ou a um suposto alinhamento entre Executivo e Judiciário para proteger aliados.

No mercado financeiro, a liquidação do Banco Master tornou-se um teste para a autonomia do BC e para o sistema regulatório. Enquanto isso, parlamentares calculam ganhos e perdas antes de bancar a CPMI que pode levar a crise ao horário nobre da campanha.

Com informações de Gazeta do Povo