A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura um esquema bilionário de fraudes contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) cancelou a sessão marcada para esta segunda-feira, 23 de março de 2026. Estavam previstos os depoimentos de Martha Graeff, ex-noiva do banqueiro Daniel Vorcaro, e do presidente da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), Rodrigo Ortiz Assumpção.
O cancelamento foi decidido no meio da tarde depois de a comissão ser informada de que Assumpção foi hospitalizado e de que Graeff não pôde ser localizada para receber a notificação oficial de comparecimento.
Sem a presença dos dois convocados, o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), e o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), optaram por encerrar a reunião. Até o momento, nenhum dos dois se pronunciou publicamente sobre as ausências.
Coação e novo reagendamento em discussão
Nos bastidores, parlamentares avaliam a possibilidade de expedir um mandado de condução coercitiva para garantir o depoimento de Martha Graeff. Já a oitiva de Assumpção deverá ser remarcada pela terceira vez.
Defesa questiona validade da convocação
Na semana passada, o advogado de Graeff, Lúcio de Constantino, afirmou que a modelo desconhecia qualquer participação nas fraudes atribuídas a Vorcaro e ao Banco Master. Ele sustentou que a convocação poderia estar prejudicada depois que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o acesso da CPMI a mensagens íntimas trocadas entre Graeff e o banqueiro.
“Se o depoimento depender de provas cuja utilização foi vedada, não há como avançar”, disse o advogado à GloboNews. Graeff, segundo ele, enxergava-se apenas como namorada de um empresário que se apresentava como bilionário.
Outras frentes de investigação
Além da CPMI do INSS, Martha Graeff foi convocada pela CPI do Crime Organizado, no Senado, que também não conseguiu encontrá-la. Mensagens apreendidas no celular de Vorcaro, já divulgadas à imprensa, indicam que a modelo tinha conhecimento da rotina do banqueiro e de conversas dele com autoridades públicas.
Prorrogação dos trabalhos
A CPMI aguarda ainda a decisão do STF sobre um mandado de segurança que pede a prorrogação dos trabalhos por mais 60 dias. O pedido foi apresentado após o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), não se manifestar sobre a extensão do prazo.
Nova data para a retomada das audiências ainda não foi definida.
Com informações de Gazeta do Povo