Brasília — A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) vota nesta quinta-feira (4) o pedido de convocação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O requerimento foi apresentado após o colegiado ter acesso a um depoimento que associa o empresário a um esquema que teria desviado cerca de R$ 25 milhões de benefícios previdenciários.
Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), documentos recebidos pela comissão indicam que Lulinha e uma publicitária ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT) teriam recebido aproximadamente R$ 8 milhões. As informações ainda não foram confirmadas por provas documentais definitivas, ressaltou o parlamentar.
O principal relato é do ex-funcionário Edson Claro, que trabalhou para Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, preso desde setembro de 2025. À Polícia Federal (PF) e à CPMI, Claro afirmou que Lulinha recebia uma “mesada” de cerca de R$ 300 mil e que, ao longo do período investigado, os repasses podem ter alcançado R$ 25 milhões. O depoente também mencionou a suposta abertura de empresas em paraísos fiscais e viagens à Europa, inclusive Portugal, para estruturar um negócio destinado à comercialização de canabidiol.
A PF e a CPMI investigam ainda possíveis vínculos de Lulinha com a empresa World Cannabis (Camilo Comércio e Serviços S/A), sediada em Brasília, suspeita de lavar recursos obtidos com a chamada “Farra do INSS”. Até o momento, a investigação reúne depoimentos, registros de viagens e relatórios financeiros, mas não apresentou prova conclusiva de participação direta do empresário.
O requerimento de convocação foi protocolado pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Adriana Ventura (Novo-SP) e Luiz Lima (Novo-RJ), além do senador Eduardo Girão (Novo-CE). No documento, eles citam o depoimento do advogado Eli Cohen, que descreveu uma estrutura criminosa ativa há mais de 15 anos para desviar sistematicamente recursos de aposentadorias.
Os parlamentares também recorrem a uma reportagem do portal Metrópoles, de novembro de 2025, sobre a movimentação de R$ 120 mil na conta do dirigente petista Ricardo Bimbo e outros R$ 8,29 milhões na empresa Datacore, ambos provenientes da ADS Soluções e Marketing — empresa apontada por relatórios financeiros como elo do esquema. Durante o mesmo período, Bimbo pagou um boleto de R$ 10.354,60 ao contador João Muniz Leite, profissional que também prestava serviços a Lulinha e é investigado na Operação Fim da Linha por suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
Em entrevista, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) classificou as acusações como “factoides” da oposição baseados em “delator sem credibilidade”. O Palácio do Planalto, o ex-advogado de Lulinha e o próprio empresário — que se mudou para a Espanha em julho — foram procurados, mas não se pronunciaram.
Se o requerimento for aprovado, Fábio Luís Lula da Silva será convocado a prestar esclarecimentos oficiais à CPMI do INSS.
Com informações de Gazeta do Povo