Brasília — O senador Fabiano Contarato (PT-ES) voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal na manhã desta terça-feira, 7 de abril de 2026, alegando que a Corte está “inviabilizando” os trabalhos da CPI do Crime Organizado. A declaração ocorreu após o ministro André Mendonça conceder, na sexta-feira (3), habeas corpus que desobrigou o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB-DF) a comparecer ao colegiado.
Ibaneis prestaria depoimento sobre a compra, pelo Banco de Brasília (BRB), de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito consideradas fraudulentas do Banco Master. A transação, alvo da Operação Compliance Zero da Polícia Federal em 2025, teria sido realizada apesar de alertas de órgãos internos de controle. O Governo do Distrito Federal é acionista majoritário e controlador do BRB, motivo da convocação do ex-governador.
“Quando tentamos investigar crimes de colarinho branco, sonegação fiscal, corrupção e peculato, decisões do STF nos obrigam a recuar”, disparou Contarato, que preside a CPI. Segundo ele, a Advocacia do Senado já recorreu de todas as determinações judiciais que afastaram testemunhas ou suspenderam quebras de sigilo aprovadas.
Outros casos barrados
A CPI já havia perdido o depoimento do ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto, também dispensado pelo STF. Contarato afirmou que situações semelhantes atingem outras comissões parlamentares, como a CPMI do INSS, que investigava suposto esquema de R$ 6,3 bilhões envolvendo o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, e na qual o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luís, o “Lulinha”, deixou de ser ouvido.
O senador lembrou ainda que o colegiado pretendia ouvir o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL-RJ) sobre a operação policial nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 122 mortos em 2025, mas a convocação enfrenta questionamentos judiciais.
“Quem não deve, não teme”
Para Contarato, a atuação do Supremo cria “cidadãos mais iguais que outros” e dificulta o rastreamento de movimentações financeiras do crime organizado, que, segundo ele, está “entranhado nos poderes e em agentes financeiros”. Ele citou investigação da Polícia Federal que identificou lavagem de dinheiro do PCC em gestoras de investimento, levando à liquidação de empresas como a Reag, ligada ao empresário João Carlos Mansur.
Os trabalhos da CPI do Crime Organizado prosseguem sem data definida para novo depoimento de Ibaneis Rocha, enquanto o Senado aguarda decisão sobre os recursos apresentados contra as liminares do STF.
Com informações de Gazeta do Povo