O Brics atravessa sua maior crise de coesão desde a fundação, após a escalada de hostilidades entre três países que ingressaram recentemente no bloco – Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Os confrontos armados colocam em dúvida a capacidade do grupo de atuar de forma unificada e complicam a estratégia do governo brasileiro de projetar liderança internacional por meio da sigla.
O que detonou a crise
Bombardeios conduzidos pelo Irã contra territórios sauditas e emiratenses deflagraram o impasse. Como o Brics não dispõe de mecanismos internos para mediação de conflitos, a ausência de um posicionamento conjunto expôs a fragilidade institucional da aliança, historicamente voltada a críticas ao Ocidente e a pautas econômicas.
Expansão que gerou atrito
A inclusão de nações com rivalidades históricas alterou o equilíbrio interno. Enquanto China e Rússia mantêm peso militar e econômico expressivo, a chegada de potências do Oriente Médio, que disputam influência regional, tornou mais complexa a busca por consensos. Analistas avaliam que o bloco passou de um grupo relativamente homogêneo a uma coalizão de perfis muito distintos.
Brasil mantém aposta no bloco
Mesmo diante da turbulência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirma o Brics como eixo central da política externa brasileira. Em 10 de março de 2026, durante encontro em Brasília com o presidente sul-africano Cyril Ramaphosa, a sigla foi citada apenas de forma protocolar, sem menção a tentativas de intermediar a paz, sinal de que até os membros fundadores questionam a capacidade política do grupo no momento.
Foco econômico ainda persiste
O discurso sobre cooperação financeira continua, sobretudo na ideia de reduzir a dependência do dólar. Contudo, há divergências: a Índia evita discutir a substituição da moeda norte-americana, enquanto a Rússia pressiona por sistemas de pagamento alternativos. A falta de alinhamento sugere que o Brics se tornou, por ora, mais um fórum retórico do que um instrumento de resultados concretos.
Limites geopolíticos
Especialistas descartam que o Brics funcione como aliança militar ou organização geopolítica estruturada. A assimetria de poder, dominada por China e Rússia, deixa pouco espaço para que demais integrantes influenciem temas globais ou contraponham a Otan.
Sem consenso sobre segurança e com divergências econômicas latentes, o bloco enfrenta o desafio de provar relevância além das fotos oficiais e das declarações conjuntas.
Com informações de Gazeta do Povo