Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nota nesta sexta-feira (29) recomendando prudência na disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. O posicionamento surgiu um dia depois de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizar a abertura de consultas para usar a Lei da Reciprocidade Econômica contra a tarifa de 50% aplicada por Washington sobre produtos brasileiros.
“O setor industrial continuará buscando os caminhos do diálogo e da prudência, e avalia que não é o momento para a aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica”, diz o comunicado da entidade.
Na quinta-feira (28), o Palácio do Planalto informou à Câmara de Comércio Exterior (Camex) o início do processo que pode resultar em sanções comerciais equivalentes às adotadas pelos EUA. Segundo o Itamaraty, o procedimento prevê etapas de consulta ao governo norte-americano e direito ao contraditório, podendo durar até sete meses.
Motivação da tarifa
Em vigor desde 6 de agosto, a sobretaxa de 50% foi justificada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, com base em questões de segurança nacional. A Casa Branca alegou violações de liberdade de expressão, direitos humanos e “ameaça à economia dos EUA” atribuídas ao governo brasileiro. O texto cita supostos abusos de autoridade do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, e a “perseguição” a integrantes do entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Missão empresarial nos EUA
Para tentar conter a escalada, a CNI pretende enviar nos próximos dias uma comitiva com mais de 100 líderes empresariais aos Estados Unidos. A agenda inclui encontros com autoridades, representantes do setor privado e uma audiência pública em 3 de setembro, relacionada à investigação aberta sob a Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana.

Imagem: Ricardo Stuckert
Em entrevista à Rádio Itatiaia, Lula afirmou não ter pressa para adotar contramedidas: “Tomei a medida porque preciso fazer o processo andar”.
A Confederação reforçou que as economias brasileira e norte-americana são complementares e lembram a relação bilateral de mais de dois séculos, defendendo que a cooperação seja preservada apesar das tensões atuais.
Com informações de Gazeta do Povo