Brasília – Protocolado em 3 de fevereiro pelo deputado Carlos Jordy (PL-RJ), o pedido de criação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar o escândalo financeiro do Banco Master recebeu 280 assinaturas — 238 de deputados e 42 de senadores. A instalação, porém, enfrenta uma série de barreiras políticas e jurídicas que podem limitar o alcance das apurações.
1. Dependência da decisão de Davi Alcolumbre
A abertura da CPMI depende do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Aliados do senador são citados em investigações sobre aplicações da Amapá Previdência (Amprev) no Master, o que gera dúvidas sobre a disposição da Mesa do Congresso em instalar o colegiado.
2. Envolvimento de nomes ligados ao governo federal
Relatos que apontam participação de figuras próximas ao Palácio do Planalto elevaram o custo político do inquérito. O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, por exemplo, é citado como consultor do banco com remuneração estimada em R$ 1 milhão mensais. O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), admitiu ter indicado o nome do ex-ministro Ricardo Lewandowski para prestar serviços à instituição. Todos negam irregularidades.
3. Sigilo parcial no Supremo Tribunal Federal
O inquérito sobre o Master corre sob segredo de Justiça e está sob relatoria do ministro Dias Toffoli. A expectativa é de que parte dos documentos seja liberada, mas a divulgação deve ser seletiva, o que pode restringir o acesso da CPMI a informações consideradas sensíveis.
4. Precedentes que limitaram a CPMI do INSS
Decisões recentes do STF reduziram o poder de investigações parlamentares. Na CPMI do INSS, o tribunal suspendeu quebras de sigilo e garantiu o direito ao silêncio de investigados, como o empresário Daniel Vorcaro, também personagem central no caso do Master.
5. Pressão do calendário eleitoral de 2026
Mesmo que seja criada, a CPMI terá até 180 dias de funcionamento, prazo que coincide com a janela partidária de março e abril, a Copa do Mundo entre 11 de junho e 19 de julho e o recesso parlamentar. A partir de agosto, o foco do Congresso se volta às convenções e à campanha eleitoral, o que tradicionalmente esvazia sessões e audiências.
Apesar dos entraves, Carlos Jordy defende que o Congresso assuma o protagonismo das investigações para evitar o “esvaziamento” do escândalo. “Se alguém está envolvido, seja de direita, esquerda ou centro, isso pouco importa. Temos que apurar responsabilidades”, afirmou o deputado.
Com informações de Gazeta do Povo