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Chats, viagens e resort: os seis elos entre Dias Toffoli e o banqueiro Daniel Vorcaro

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Telefonemas diretos, mensagens sobre pagamentos, encontros sociais e decisões judiciais atípicas formam o núcleo de indícios reunidos pela Polícia Federal (PF) que aproximam o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. As revelações levaram o magistrado a se afastar da relatoria do chamado “caso Master”, embora ele refute qualquer irregularidade e negue relação pessoal com o empresário.

Especialistas, como o constitucionalista Adriano Soares da Costa, avaliam que há material suficiente para questionar a imparcialidade de Toffoli e até para discutir sua permanência no tribunal. A saída encontrada pelos ministros do STF foi retirar o processo de suas mãos sem abrir investigação por suspeição, mantendo válidas as provas já colhidas.

1. Ligações diretas e convite de aniversário

Relatório de cerca de 200 páginas da PF, baseado na análise de seis celulares de Vorcaro, identificou chamadas de aparelhos do banqueiro para o número pessoal de Toffoli. Não houve interceptação do conteúdo porque não existia ordem judicial. Entre os registros consta ainda um convite do ministro para que Vorcaro comparecesse a sua festa de aniversário, fato interpretado pelos investigadores como sinal de proximidade que vai além do âmbito institucional. Toffoli diz não ter amizade com o investigado e classifica as citações como “ilações”.

2. Mensagens que mencionam pagamentos

Conversas encontradas nos dispositivos de Vorcaro trazem referências, em código, a repasses financeiros supostamente destinados ao ministro. Também aparecem anotações envolvendo o cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel. Em nota oficial, Toffoli afirmou “jamais ter recebido qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel”. A PF ainda não confirmou se os pagamentos ocorreram nem quais seriam os montantes.

3. Participação societária em resort negociada com ligado a Vorcaro

Após a publicação dos relatórios, Toffoli admitiu ser acionista da Maridt Participações, antiga dona de parte do resort Tayayá, em Ribeirão Claro (PR). A Maridt vendeu parte da fatia do empreendimento em 27 de setembro de 2021 ao Fundo Arllen, controlado por Zettel, e o restante em 21 de fevereiro de 2025 à PHD Holding. O ministro frisa que a última transação ocorreu meses antes de ele se tornar relator do caso Master, em 28 de novembro de 2025, e garante ter declarado todos os dividendos legalmente.

4. Estadia frequente no Tayayá mesmo após a venda

Registros de diárias de seguranças do Tribunal Regional do Trabalho da 2.ª Região mostram que Toffoli passou ao menos 100 dias no resort entre dezembro de 2022 e agosto de 2025, período em que a PF intensificou investigações contra o Banco Master. Reportagem do portal Metrópoles indica que o ministro promoveu uma festa no local no fim de 2025. Funcionários teriam se referido ao estabelecimento como “resort do Toffoli”, onde haveria máquinas caça-níqueis e mesas de pôquer. Após as operações Carbono Oculto (agosto/2025) e Compliance Zero (novembro/2025), o magistrado deixou de comparecer ao hotel com escolta oficial.

5. Atritos com a PF na condução do processo

Desde que assumiu a relatoria, Toffoli concentrou no STF a guarda de provas, definiu acareações antes de depoimentos, redigiu perguntas próprias aos investigados e, inicialmente, limitou o acesso da PF a materiais apreendidos. Posteriormente, autorizou perícia restrita a quatro agentes e encurtou prazos para diligências, medidas consideradas incomuns por delegados do caso. A sequência de decisões aumentou a tensão entre Corte e polícia, culminando no afastamento do ministro da relatoria.

6. Voo ao Peru em jato de aliado do Banco Master

No dia em que impôs sigilo ao processo, Toffoli viajou ao Peru, em aeronave de um empresário e de um advogado que defende diretor investigado no caso Master, para assistir à final da Copa Libertadores. A ida ocorreu poucos dias antes de a defesa de Vorcaro obter o sigilo máximo do processo, o que retirou informações do site do STF e restringiu o acesso público à tramitação.

Apesar do afastamento de Toffoli da relatoria, não há definição sobre a continuidade das apurações envolvendo seu nome. O ministro segue negando qualquer conduta ilícita ou relação íntima com Vorcaro.

Com informações de Gazeta do Povo