A sucessão de episódios envolvendo o Banco Master, apontado pela Polícia Federal em investigação que pode alcançar R$ 17 bilhões em fraudes, devolveu a corrupção ao centro das atenções dos brasileiros após um período de declínio nas pesquisas de opinião.
Pesquisas apontam retomada do tema
Levantamento Genial/Quaest divulgado em janeiro de 2026 registrou aumento de 15% para 17% nas menções espontâneas à corrupção como principal problema nacional. Já o Datafolha, que registrava pico de 34% em 2015, viu o índice despencar para 4%-5% entre 2021 e 2022, voltando a 8% em 2023 e 2025.
No AtlasIntel/Bloomberg, a preocupação é ainda mais expressiva: 59,5% dos entrevistados em maio de 2025 e 64,7% em dezembro consideraram a corrupção o maior desafio do país. Divergências metodológicas explicam a diferença de patamares entre os institutos, mas todos indicam tendência de alta.
Enfraquecimento da agenda anticorrupção
Analistas associam a reviravolta a decisões judiciais que alteraram o curso da Operação Lava Jato, como a reversão da prisão após condenação em segunda instância (2019) e as anulações de sentenças do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2021. Esses episódios, somados ao arquivamento de processos e reduções de suporte institucional, teriam alimentado ceticismo sobre a eficácia do combate à corrupção.
Banco Master intensifica debate
O caso Master ganhou relevo quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em novembro de 2025. A investigação migrou para o Supremo Tribunal Federal sob a relatoria do ministro Dias Toffoli após a citação de um parlamentar com foro especial. Toffoli decretou sigilo máximo nos autos, medida criticada por entidades como a Transparência Internacional.
Episódios paralelos — entre eles viagem de Toffoli em jatinho particular com advogado ligado ao banco e contrato estimado em R$ 129 milhões entre o Master e o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes — reforçaram questionamentos públicos sobre transparência e imparcialidade.
Impacto político rumo a 2026
Cientistas políticos veem potencial eleitoral na pauta. Alexandre Bandeira afirma que a exposição do STF gera percepção inédita de “autodefesa” da Corte. Paulo Kramer destaca que escândalos só se transformam em desgaste quando há mobilização organizada da oposição. Para Adriano Cerqueira, temas econômicos costumam influir mais no voto, mas a corrupção pode retornar como assunto secundário no pleito presidencial.
O debate tende a atingir tanto o presidente Lula, marcado pelo histórico do petrolão, quanto o senador Flávio Bolsonaro, cujo caso da rachadinha foi arquivado. Ambos buscarão blindagem retórica enquanto a preocupação popular com a corrupção volta a crescer.
Metodologia das pesquisas
Genial/Quaest: 2.004 entrevistas entre 8 e 11 de janeiro de 2026; margem de erro de 2 pontos percentuais.
AtlasIntel/Bloomberg (maio de 2025): 4.399 entrevistas on-line; margem de erro de 1 ponto percentual.
AtlasIntel/Bloomberg (dezembro de 2025): 18.154 entrevistas on-line; margem de erro de 1 ponto percentual.
Datafolha (2025): 2.002 entrevistas em 113 municípios; margem de erro de 2 pontos percentuais.
Com o avanço das investigações e a proximidade da campanha de 2026, especialistas avaliam que novos desdobramentos do Caso Master podem manter o tema corrupção em evidência e influenciar discursos de governo e oposição.
Com informações de Gazeta do Povo