As investigações em torno do colapso do Banco Master voltaram a colocar em evidência a trajetória de controvérsias que acompanha o ministro Dias Toffoli desde sua chegada ao Supremo Tribunal Federal (STF), em 2009. De acordo com levantamento de episódios marcantes, ao menos cinco fatos ajudaram a moldar a imagem pública do magistrado e alimentam questionamentos sobre conflito de interesses, concentração de poder e alcance das decisões judiciais.
1. Codinome “amigo do amigo de meu pai” na Odebrecht (2019)
Em abril de 2019, a revista Crusoé divulgou e-mails internos da Odebrecht que ligavam Toffoli ao apelido “amigo do amigo de meu pai”. As mensagens, de 13 de julho de 2007, circularam enquanto a empreiteira negociava a construção da hidrelétrica de Santo Antônio — projeto defendido pela Advocacia-Geral da União (AGU), então chefiada por Toffoli. O material foi retirado do ar por decisão do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito do Inquérito das Fake News, fato classificado por críticos como censura.
2. Relato bem-humorado sobre “sumiço” de processo (2014)
Vídeo gravado em 21 de março de 2014 mostra Toffoli, durante palestra na USP, narrando com tom jocoso o desaparecimento de um processo de despejo quando atuava na AGU. Segundo o ministro, um colega teria “roubado o processo” em cartório para impedir o cumprimento de liminar. A história repercutiu anos depois e foi usada como exemplo de postura considerada incompatível com a função.
3. Inquérito das Fake News e expansão de poder do STF (2019)
Em 14 de março de 2019, como presidente do STF, Toffoli abriu de ofício o Inquérito 4.781 para apurar ameaças e notícias falsas contra a Corte. Sem sorteio, designou Alexandre de Moraes como relator. O procedimento — sem prazo de conclusão e já prorrogado diversas vezes — alcançou empresários, parlamentares e influenciadores ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro, gerando críticas por concentrar funções de investigar, acusar e julgar dentro do próprio tribunal.
4. Voto que derrubou prisão após segunda instância (2019)
Em 7 de novembro de 2019, Toffoli proferiu o voto de desempate que restabeleceu a exigência de trânsito em julgado para início do cumprimento de pena. A decisão, tomada por 6 a 5, beneficiou diversos condenados — entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva — e foi considerada um revés à Operação Lava Jato. Posteriormente, o ministro anulou provas de acordos de leniência da Odebrecht e da J&F, suspendendo multas que somavam quase R$ 19 bilhões.
5. Condução do Caso Banco Master (2024-2026)
Relator da Operação Sem Compliance no STF, Toffoli concentrou o inquérito sobre supostas fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master após a citação de um deputado federal. Entre as medidas, autorizou bloqueios de bens, quebras de sigilo e perícias indicadas pelo próprio gabinete. O desgaste aumentou quando investigações apontaram laços financeiros indiretos entre o banco e o resort Tayayá, no Paraná, onde o ministro e familiares possuíam participação. Reportagens revelam que Toffoli passou cerca de 100 dias no resort entre dezembro de 2022 e agosto de 2025, mesmo após operações da Polícia Federal.
Os cinco episódios reforçam a recorrência de questionamentos sobre o alcance das decisões de Dias Toffoli e o grau de proximidade entre sua atuação no STF e interesses políticos ou econômicos.
Com informações de Gazeta do Povo