A disputa presidencial de 4 de outubro de 2026 segue marcada pela polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que pleiteia a reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome da direita. Mesmo assim, um grupo de postulantes sem grande estrutura partidária tenta ocupar brechas, sobretudo junto ao eleitorado conservador.
Cenário de pesquisas
Instituto Paraná Pesquisas: levantamento de 26 de dezembro, com 2.038 entrevistados em 163 municípios, mostra Lula com 37,6% e Flávio com 27,8% no primeiro turno. Margem de erro: 2,2 pontos; confiança: 95%.
Datafolha: pesquisa de 2 a 4 de dezembro, com 2.002 eleitores em 113 cidades, indica rejeição de 44% a Lula e 38% a Flávio. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Quem são os nomes avulsos
Cabo Daciolo (sem partido) busca o voto evangélico com discursos messiânicos e nacionalistas. Em 2018, obteve 1,26% dos votos para presidente.
Renan Santos, ligado ao recém-criado partido Missão e fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), tenta atrair liberais que rejeitam tanto o PT quanto o bolsonarismo.
Aldo Rebelo concorre pelo Democracia Cristã (DC). Ex-ministro e ex-presidente da Câmara, passou da militância comunista ao conservadorismo e critica STF e governo Lula.
Pablo Marçal (PRTB) recuperou a elegibilidade, mas declarou apoio a Flávio Bolsonaro e não deve concorrer.
Análises de especialistas
Para Adriano Cerqueira, professor de Ciência Política do Ibmec-BH, a proliferação de candidaturas sem chances reais acompanha a guinada do eleitorado à direita e serve para construir capital político. Ele descarta repetição do fenômeno Bolsonaro 2018, quando um candidato de partido pequeno venceu o pleito.
Elton Gomes, professor da UFPI, lembra que nomes alegóricos aparecem desde 1989. Segundo ele, em sistemas com partidos pouco programáticos, essas candidaturas funcionam como canal de protesto e moeda de troca no segundo turno.
Repercussão entre nanicos de esquerda
Do outro lado do espectro, Rui Costa Pimenta (PCO) e Jones Manoel (PCB) mantêm discursos anticapitalistas. Pimenta critica o ativismo judicial do STF, enquanto Jones aposta em narrativa marxista-leninista, ambos com baixa tração eleitoral.
Embora fragmentem votos que poderiam fortalecer o principal adversário de Lula, esses candidatos independentes ajudam a elevar o tom das críticas ao presidente no primeiro turno. Historicamente, parte de seu eleitorado tende a migrar para o nome anti-PT que chegar à segunda etapa da disputa.
Com informações de Gazeta do Povo