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Câmara inicia 2026 com troca de líderes no PT e na oposição enquanto Hugo Motta tenta baixar a temperatura

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A abertura do ano legislativo, nesta segunda-feira (2), veio acompanhada de mudanças estratégicas nas bancadas que travaram os maiores embates com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), ao longo de 2025. O bloco de oposição liderado pelo PL e a bancada do PT trocaram seus porta-vozes a poucos meses das eleições municipais, numa tentativa de repaginar o diálogo interno e reduzir atritos que marcaram o primeiro ano de Motta no comando da Casa.

Oposição escolhe Cabo Gilberto Silva

Entre os oposicionistas, o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) assume o posto ocupado por Luciano Zucco (PL-RS). Silva, conterrâneo de Motta, disse à reportagem que manterá a pressão sobre o governo, mas pretende privilegiar o diálogo com a Presidência da Câmara. “A oposição tem cerca de 120 deputados e pouco mais de 20 senadores; quem detém a maioria é o Centrão”, observou.

PT aposta em perfil conciliador

Do lado governista, o PT substitui o combativo Lindbergh Farias (RJ) pelo catarinense Pedro Uczai, considerado mais aberto à negociação e ligado ao tema da educação — área de interesse pessoal de Hugo Motta. Os embates entre Lindbergh e o presidente da Câmara culminaram em rompimento público em novembro passado.

Agenda enxuta e tentativa de reconciliação

Com o calendário eleitoral encurtado, Motta reuniu os líderes na quarta-feira (28) para definir os primeiros itens de votação. Ficou acertada a prioridade para a PEC da Segurança Pública logo após o carnaval. Na fila imediata estão duas medidas provisórias caras ao Planalto — o Gás do Povo e a renegociação de dívidas de produtores rurais — além do projeto que cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano, reivindicação do próprio presidente da Casa.

Ao mesmo tempo, o dirigente ensaia reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva após ter imposto derrotas significativas ao governo em 2025, como a caducidade da MP do IOF e a votação da dosimetria das penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. No início de janeiro, Motta afirmou ter recebido “com tranquilidade” o veto de Lula à dosimetria, sinalizando disposição para negociar.

Pendências: CPI e veto da dosimetria

Apesar dos gestos de aproximação, a Presidência da Câmara ainda resiste a demandas da oposição. Motta indicou que, por ora, não instalará a CPI do Banco Master, proposta que já dispõe de número suficiente de assinaturas. Também não definiu data para discutir com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), a análise do veto à dosimetria.

O deputado Gustavo Gayer (PL-GO) declarou que a oposição articula a derrubada do veto “nas primeiras duas semanas” de trabalho, mas ainda não há sessão do Congresso convocada. Para a cientista política Letícia Mendes, da BMJ Consultores, esses temas serão os primeiros testes de força do ano.

Motta sob dupla pressão

Segundo Mendes, o governo necessita do apoio de Motta para avançar sua pauta, enquanto o parlamentar busca fortalecer seu capital político na Paraíba em ano eleitoral. “É um ano de janela curta para aprovar projetos e consolidar um legado”, afirmou a analista, que não vê, contudo, risco imediato de o deputado perder o cargo.

Segurança pública, preço do gás de cozinha e a jornada 6×1 são apontados como assuntos de apelo eleitoral que devem ganhar prioridade nas próximas semanas.

Com informações de Gazeta do Povo