A Câmara dos Deputados começou o ano legislativo de 2026 com novas lideranças em dois polos centrais do plenário. O Partido dos Trabalhadores (PT) e o bloco de oposição liderado pelo PL substituíram seus líderes na tentativa de diminuir atritos e destravar votações em pleno calendário eleitoral.
No PT, o catarinense Pedro Uczai assumiu o posto antes ocupado pelo fluminense Lindbergh Farias, conhecido pela postura mais combativa. Do lado oposicionista, o gaúcho Luciano Zucco foi trocado pelo paraibano Cabo Gilberto Silva, correligionário do PL e conterrâneo do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Objetivo é abrir canal de diálogo
Com cerca de 120 deputados, a oposição pretende usar a boa relação pessoal entre Silva e Motta para levar suas propostas ao plenário, onde as decisões são tomadas pela maioria dos parlamentares presentes. A estratégia busca compensar a desvantagem numérica do bloco adversário ao governo Lula.
Motta sinaliza aproximação com o Planalto
Após um 2025 marcado por impasses — inclusive a não inclusão de medidas provisórias do Executivo na pauta —, Hugo Motta adotou tom mais conciliador. Ele recebeu sem confrontos o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um projeto apoiado pela oposição, gesto interpretado como tentativa de reaproximação entre os dois Poderes. Analistas veem vantagem mútua: o governo precisa de Motta para avançar sua agenda, enquanto o deputado paraibano pode se fortalecer politicamente em seu estado ao alinhar-se ao Planalto.
Pautas que abrem 2026
A prioridade imediata após o Carnaval será a PEC da Segurança Pública. Na sequência, duas medidas provisórias de interesse do governo aguardam votação: a que institui o programa Gás do Povo e a que trata da renegociação de dívidas de produtores rurais. Motta ainda quer votar a criação do Instituto Federal do Sertão Paraibano, proposta relevante para sua base eleitoral.
Primeiros testes de força
O início do ano reserva embates importantes. O plenário decidirá se mantém ou derruba o veto presidencial ao projeto que altera o cálculo de penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro. Também está no radar a instalação da CPI do Banco Master, solicitada pela oposição, mas que o presidente da Câmara indica poder adiar. A negociação de verbas do Orçamento completa o conjunto de disputas previstas para as próximas semanas.
Com as novas lideranças e a busca por diálogo, governo, oposição e presidência da Casa tentam pavimentar um ano menos conflagrado e mais produtivo em meio às eleições municipais.
Com informações de Gazeta do Povo