O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), afirmou nesta terça-feira, 2 de dezembro de 2025, que “existe uma vinculação umbilical do PT com as facções criminosas”. A declaração foi feita em audiência pública na Câmara dos Deputados que reuniu governadores para discutir a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da segurança pública.
Caiado argumentou que, ao dificultar a construção de presídios, o Partido dos Trabalhadores favoreceria organizações como PCC e Comando Vermelho. “Essa é a política do PT, soltar preso. Eles não querem ficar mal com o PCC e o Comando Vermelho”, disse.
Na avaliação do governador, o PT busca “demonizar” a Polícia Militar. Ele citou as diretrizes partidárias que defendem a desmilitarização das polícias, o que transferiria o patrulhamento ostensivo para corporações civis. A fala provocou reação da deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), que classificou a intervenção como “comício do Caiado, não posição de governador”.
Caiado também criticou a atuação do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na segurança pública. “Não é o CNJ que vai dizer o que eu tenho que fazer. Não é uma ADPF que vai dizer que eu não tenho que prender as pessoas”, afirmou. Ele mencionou a ADPF 347, que instituiu o Plano Pena Justa para enfrentar o “estado inconstitucional de coisas” no sistema prisional, e ironizou: “Se você não tiver vaga, o preso não pode ser preso, olha que maravilha!”.
A PEC da segurança pública, proposta pelo governo federal, é vista por governadores como uma medida que enfraquece a gestão estadual do setor. O tema voltou à pauta após a Operação Contenção, no Complexo da Pena, no Rio de Janeiro, que resultou em 122 mortos — cinco policiais — e 113 presos, tornando-se a ação policial mais letal da história do país.
O episódio levou o Supremo Tribunal Federal a incluir a operação na ADPF 635 (conhecida como ADPF das Favelas). O ministro Alexandre de Moraes esteve no Rio para tratar do assunto com o governador Cláudio Castro (PL).
A reportagem da Gazeta do Povo entrou em contato com o PT; o partido ainda não se manifestou.
Com informações de Gazeta do Povo