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Mauro Vieira diz que Brasil terá papel central na reconstrução da OMC após tarifaço de Trump

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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta terça-feira, 26 de agosto, que o Brasil pretende liderar o processo de “refundação” da Organização Mundial do Comércio (OMC) depois da crise deflagrada pela nova rodada de tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Durante evento na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em São Paulo, Vieira declarou que a guerra tarifária desencadeada por Washington recolocou as regras do comércio internacional “no estágio anterior ao Gatt”, acordo de 1947 que deu origem à OMC. Segundo o chanceler, o organismo está “paralisado” tanto para mediar disputas quanto para concluir novos tratados.

“A ordem mundial, como a conhecíamos, está sendo desmontada exatamente por quem mais contribuiu para erguê-la”, disse o ministro, referindo-se aos Estados Unidos. Para ele, ao buscar caminhos fora das instâncias multilaterais, o governo norte-americano enfraquece o sistema que ajudou a construir.

Queixa contra sobretaxa

Na semana anterior, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressou com ação na OMC contra a tarifa de 50% aplicada por Trump a produtos brasileiros. Mesmo reconhecendo o caráter simbólico da iniciativa — já que o órgão de apelação da OMC está sem funcionar —, Vieira avaliou que o Brasil “segue firme na defesa do multilateralismo”.

Sem negociar temas internos

O chanceler também reiterou que qualquer diálogo bilateral sobre as novas tarifas ocorrerá sem ingerência em assuntos internos. Trump mencionou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro ao justificar a medida, atitude vista pelo Itamaraty como pressão política. “Trata-se de tema soberano, conduzido pelo Poder Judiciário, e sobre o qual não cabe interferência do Executivo”, enfatizou.

Lula critica impacto global

Mais cedo, também na capital paulista, Lula classificou o tarifaço como um ato de quem “se comporta como imperador do planeta”. O presidente afirmou que seu governo mantém portas abertas para negociações, “24 horas por dia”, mas sempre com respeito à soberania nacional e às normas internacionais de comércio.

Vieira concluiu que o Brasil “resistirá às pressões” ao mesmo tempo em que buscará reconstruir a arquitetura multilateral, colocando-se à frente dos esforços para restaurar a credibilidade da OMC.

Com informações de Gazeta do Povo