Brasília – O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, afirmou nesta quinta-feira (23) que o Brasil “não deve” aderir ao Conselho da Paz idealizado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Falta de clareza no estatuto
Segundo Amorim, o documento encaminhado ao governo brasileiro mistura conceitos e não deixa claro o alcance real da nova instância, o que, na avaliação dele, representa “uma tentativa unilateral de reformar a ONU”. “Seria preciso que fosse fruto de uma resolução aprovada na própria Organização das Nações Unidas”, declarou ao jornal O Globo.
Ausência de menção direta a Gaza
O dirigente brasileiro destacou que o texto de criação do Conselho sequer cita explicitamente a Faixa de Gaza, abrindo margem para atuação em conflitos diversos. “Seria como um Conselho de Segurança, só que com um presidente praticamente permanente”, comentou, acrescentando que países europeus ainda não aderiram.
Convite sem possibilidade de ajustes
Outro ponto sensível, de acordo com Amorim, é a recusa de Trump em aceitar emendas ao estatuto. “O documento chega como um contrato de adesão, o que dificulta qualquer debate diplomático”, disse. Ele ponderou que qualquer decisão também precisa considerar a posição dos palestinos e de nações árabes.
Adesões e cautela do Planalto
Apresentado por Trump no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, o Conselho da Paz já recebeu apoio de alguns países, entre eles a Argentina do presidente Javier Milei. No entanto, o Palácio do Planalto avalia que a iniciativa pode fragilizar o papel da ONU na área de paz e segurança. Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não tomou decisão final sobre a participação brasileira.
Com informações de Gazeta do Povo