NOVA YORK, 23 de dezembro de 2025 – Em reunião do Conselho de Segurança nesta terça-feira (23), o Brasil acusou os Estados Unidos de desrespeitar a Carta das Nações Unidas ao deslocar forças militares para o Caribe e bloquear petroleiros venezuelanos. A crítica foi feita pelo embaixador Sérgio Danese, representante permanente do país na ONU.
Segundo Danese, a presença naval norte-americana nas proximidades da Venezuela e o bloqueio anunciado pelo governo de Washington “constituem violações da Carta das Nações Unidas e devem cessar imediata e incondicionalmente”. O diplomata defendeu o uso de meios políticos e jurídicos já disponíveis para tratar da crise.
O embaixador reiterou o “compromisso histórico” do Brasil com o multilateralismo e a solução pacífica de controvérsias, afirmando que o emprego da força “agrava tensões e afasta possibilidades de entendimento diplomático”. Ele ressaltou que a América Latina e o Caribe precisam permanecer como “região de paz, sem intervenções armadas externas”.
Danese convidou Washington e Caracas a iniciarem “diálogo genuíno, conduzido de boa-fé e sem coerção”. Acrescentou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria disposto a colaborar, se houver consentimento mútuo das partes.
Endurecimento norte-americano
Pela delegação dos EUA, o representante Mike Waltz justificou a operação naval alegando que a receita do petróleo venezuelano financia atividades ligadas ao narcotráfico. “Os Estados Unidos farão tudo que estiver ao seu alcance para proteger nosso hemisfério, nossas fronteiras e o povo americano”, declarou.
Uma semana antes, o presidente Donald Trump anunciara “bloqueio total” a navios petroleiros sancionados que entrem ou saiam da Venezuela. Em 10 de dezembro, autoridades norte-americanas apreenderam o petroleiro Skipper. No sábado (20), a Guarda Costeira interceptou o Centuries em águas internacionais próximas à costa venezuelana e agora procura o Bella 1, que seguia para carregar petróleo no país sul-americano.
Não houve consenso no Conselho de Segurança sobre eventuais medidas contra a mobilização militar, mas vários membros pediram contenção e retorno às negociações diplomáticas.
Com informações de Gazeta do Povo